No mundo dos sonhos com as fábulas escoteiras

No mundo dos sonhos com as fábulas escoteiras
A aventura está apenas começando

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Meu reino por um taco!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Meu reino por um taco!

                       Nick Drops Takoman não tinha muita simpatia por minha pessoa. Juro que ria dele não pela sua figura, mas pela sua mania e ambição de poder e subir “na vida Escoteira” como ele mesmo dizia. Bem eu sou assim mesmo. Vivido e calejado no escotismo. Dizem que minha língua não tem tamanho. Pode ser mesmo.  Eu sempre brincava com ele comentando aquela célebre frase dita no conto de Willian Shakespeare na sua peça Ricardo III, Ao perder seu cavalo em plena luta e desesperado, Ricardo III exclama a frase que ficou na história – “Meu reino por um cavalo”. Para ele eu falava baixinho: “Meu reino por um taco”! Nick Drops fechava a cara e sai bufando. Confesso que me sentia culpado, mas estava cansado de tais tipos que sonham em ser grandes chefes, ter poder, quem sabe ser mais um dos famosos da UEB. Jeremias Toca Fogo Chefe do Grupo “Moro no Mato” um dia me contou que ele mandou fazer vinte tacos na marcenaria do Avelar Ponto Morto. Garantiu-me que ele quase todas as noites vestia o seu uniforme, e colocava o colar onde todas as contas se espremiam para caber em um colar que ele mesmo trançou. lá. Já pensou Vinte delas? Para mim era demais e até não acreditei em Jeremias Toca Fogo.

                       Mas no seu Grupo Escoteiro ninguém gostava dele. Era mandão, se achava o tal e nas últimas eleições chegou a ir de casa em casa dos pais dos Escoteiros pedindo voto. Ele queria ser eleito o Diretor Técnico do Grupo. Muitos dos chefes juraram que se isto acontecesse eles sairiam na hora. O pior de tudo é que Nick Drops era um desleixado na sua apresentação. Quando a UEB apresentou a vestimenta ele correu a comprar várias. Tinha a calça curta, a comprida, tinha a camisa de manga comprida, manga curta, e adorava sair de chinelinho com a camisa para fora da calça pensando que estava abafando. Um dia viu um figurão Escoteiro com um chapéu texano e comprou logo quatro. Nick Drops adorava um figurão Escoteiro. Fazia todos os cursos que apareciam, gastava horrores para estar presente em todas as assembleias nacionais e regionais. Não perdia um Jamboree e em todos estes lugares lá estava ele com aquele sorriso próprio que só os puxa sacos tem,  junto aos figurões presentes. O que ele não entendia é porque não havia ainda recebido sua comenda da Insígnia de Madeira. Afinal tinha feito todos os cursos e ninguém sabia explicar o porquê. Diziam que seu intelecto não era lá estas coisas.

                    Nick Drops tinha esposa e filho. Em sua casa era um tirano. Sua esposa submissa e seu filho tinham enorme medo dele. Trabalhava como vendedor nas Lojas Catamarreco, uma das maiores da cidade de Vento Parado. Os chefes que tentavam se aproximar sempre diziam a ele: - Nick Drops seu estilo em dirigir sua família é errado. Você como Escoteiro os trata como se eles fossem seus empregados. Você só sabe mandar. – Nick Drops olhava de lado não dizia nada, mas no fundo mandava o Chefe ir para as conchichinas. Vendo que em seu estado natal não conseguia sua Insígnia e que mesmo chefes de outros estados não tinham interesse em ajudá-lo, tomou uma resolução. Tomou emprestado no Banco Me Paga que eu Gosto a juros estratosféricos uma enorme quantia. Se o Brasil não resolve, a Inglaterra resolve pensou! Na terra de BP quem tem um olho é rei! Só falou no grupo que iria faltar alguns dias, mas logo estaria de volta. Nick Drops ria de orelha a orelha. Londres! Aqui vou eu, dizia e partiu em uma manhã em um Avião da Aerolinas Me Segura que eu Caio. Ninguém sabia seu destino. Muitos diziam que ele foi a serviço da à empresa, mas foi para onde?

                       Ele achava que em Londres, mais precisamente em Gilwell Park ele iria fazer um curso rápido e receberia sua tão sonhada Insígnia. Na viagem da classe econômica ele andava prá lá e prá cá se exibindo. Estava com sua vestimenta número quatro, conforme ele mesmo havia numerado. Os passageiros não sabiam que uniforme era aquele e outros riam dele, afinal estes tipos foram feitos para a gente rir. No aeroporto de  Heathrow começou seu suplicio. Não entendia nada de inglês. Achou um carregador de malas que se dizia boy scout e o levou até um taxi. Ainda bem que não foi assaltado. Os ingleses gostam de rir dos caipiras, mas são honestos. Nisto eu tiro o chapéu para eles. O taxi parou em frente ao campo de Giwell. Ele sorrindo com a mochila nas costas cantava: - ¶ Eu era um bom touro um bom touro de lei, não estou mais toureando o que fazer não sei! Risos. O diabo é que ele nunca foi um touro!

                        Viu a entrada. Adorou o pórtico que já vira em fotos no Google. Viu o edifício atrás. Logo estava no hall de entrada. Um jovem sério, com um sorriso de cavalheiro inglês deu as boas vindas em inglês. Nick Drops não entendia nada. Tentava explicar na sua maneira de mandão que tinha vindo fazer um curso da Insígnia de Madeira. Preciso da Insígnia de Madeira! – Ele gritou! - Pago qualquer preço! E jogou várias notas de libras esterlinas na mesa. O Mané gritava a mais não poder. Daqui não saio daqui ninguém me tira! - Enquanto não me deram o lenço de Gilwell fico aqui. Sou vou embora com ela no pescoço! O que fazer? O jovem Escoteiro cavalheiro inglês que não entendia bulhufas de português tentou de tudo. Chamou seu Chefe Mister Jonny Pulla Pulga. Nada. Com muito custo conseguiram através de um guia de viagem de Belo Horizonte que passava por lá traduzir o que o Chefe Idiota e puxa saco queria. – Explicou, mas as inscrições não são assim. Tem que ter o chamegão da UEB. Sem ela – necas! O Chefe de BH ria a valer. Ele também era um Escoteiro e conhecia bem tais tipos. Pediu humildemente que ele passasse uma noite lá, só para observar e contar para seus amigos no Brasil. Nick Drops dormiu no mato sem barraca, sem coberta em um frio de rachar!

                      Voltou ao Brasil no outro dia. Procurou o Formador Chefe na sua cidade. – Contou mentiras e mentiras. O formador não disse nada, conhecia o puxa-saquismo do Chefe. – Vou ver, vou ver o que posso fazer disse ele. Em casa sua esposa orgulhosa, seus filhos imaginando o pai cheio de tacos. Era um sonho que passou para toda a família. Ele naquela noite sonhou que estava recebendo sua Insígnia. Veio BP e colocou nele o colar de contas zulu, tinha dez tacos! E olhe que BP tinha cinco porque era o Escoteiro Chefe do Mundo. Veio a Rainha da Inglaterra e colocou outro colar com mais trinta tacos. Veio O Barack Obama e mais oitenta tacos. Ele não conseguia ficar de pé. Era taco que não acaba mais! Por fim a Dilma com seu sorriso de quem adora um panelaço mandou trazer um avião dela cheio de taco. Ele tremeu com o peso. Caiu e foi enterrado por tacos e tacos junto a Baden-Powell na sua morada no Quênia. Acordou suando e chorando. Pediu perdão a Tikititas sua esposa, pediu perdão ao seu filho Talpaitalfilho e prometeu mudar.


                      Olhe, eu mesmo não acreditei quando soube. Mas Nick Drops mudou. Virou um grande Chefe e amado por muitos que o odiavam. Esqueceu os tacos, esqueceu a IM e agora se dedicava somente aos seus jovens e refazer os amigos que perdeu. Um dia um distrital foi lá na sede e entregou a ele a Insígnia de Madeira. Ele sorriu agradecido, mas agora diferente. Um sorriso de quem sabe que tem de dar mais aos jovens, pois se ele era um Bom Lobo e um Bom Lobo de lei tinha que mostrar que o escotismo tem tudo para nos fazer feliz e nos ensinar qual o melhor caminho a seguir! 

domingo, 3 de maio de 2015

Rosas brancas e perfumadas para Dona Noêmia.


Lendas escoteiras.
Rosas brancas e perfumadas para Dona Noêmia.

                      Ela morava bem no final da minha rua. Sua casa tinha fundos para o Rio Mimoso. Lembro que no final da cerca havia um belo pesqueiro. Mas ninguém tinha coragem para pescar ali. No quintal havia pés de manga, goiaba e chumaços de pés de cana Caiana. Na frente de sua casa centenas de rosas brancas. Só rosas brancas. Porque não outras cores ninguém sabia. Enfrentar o olhar de Dona Noêmia? Nunca. Um medo danado. Não era só eu e sim a cidade inteira. Morava sozinha, acho que tinha mais de setenta anos, não sei. Diziam que era viúva, mas ninguém conheceu seu marido. No Grupo Escolar Mascarenhas de Moraes ela era a diretora. Ali ninguém dava um pio. Respeito é bom e eu gosto ela dizia. Todos entravam em silêncio e saiam calados. Onde ela passava se fazia silencio. Alguns adultos diziam – Boa tarde Dona Noêmia. Ela olhava e seus olhos pareciam sair chamas de fogo.

                    A escoteirada passava longe. Os lobos endiabrados ouviam sempre da Akelá Maísa – Querem que chame Dona Noêmia? Era uma maneira de assustar a lobada indisciplinada. Quem fala muito paga pecado, assim dizia minha mãe. Chefe Onofre naquele sábado disse que infelizmente ia mudar de cidade. Estava tentando achar alguém para ficar no seu lugar. A tropa ficou chorosa. Todos gostavam dele. A semana inteira o comentário correu em todas as patrulhas. Fazia-se reunião na Touro, nos Morcegos, na Águia e durante o dia na loja do Martinho. Seu filho da Raposa trabalhava com ele. – Quem seria o novo Chefe? Será o Nonato pipoqueiro? O Sacristão Isaias? Ou o Professor Clementino? Ninguém sequer imaginava. O jeito era esperar o sábado.

                   Interessante, uma hora antes todos estavam na sede. Nem nos cantos de Patrulha foram. Estavam a espreita na porta da sede, no portão e vi dois apinhados em um abacateiro enorme olhando a rua da sede. Chefe Onofre chegou sozinho dez minutos antes do horário. Chamou para a bandeira.  Ninguém com ele. Um frenesi corria de um para o outro. Depois do cerimonial fizemos um jogo estupendo. E assim a rotina da reunião continuou. Até esquecemo-nos do Chefe novo. Quem sabe ele desistiu e vai ficar conosco? A surpresa veio no arreamento. – Chefe Onofre assumiu uma pose de “pobre coitado” e apresentou o novo chefe. Ou melhor, a nova Chefe. Dona Noêmia! Incrível! Ninguém estava acreditando. Ela chegou séria com seu cabelo branco amarrado em um coque, um chalé em cima de uma blusa de manga comprida marrom, uma saia azul simples abaixo do joelho e um sapato aberto em cima de uma meia fina que parecia tirada do fundo do baú. Nunca em minha vida olhei para Dona Noêmia. Aquele foi à primeira vez. Um medo danado. Era magra. Magra mesmo. Um palito em pé. Alta pelo seu porte. Nariz afilado pontiagudo, uma boca pequena e entre o nariz e a boca um bigode ralo.

                   A cidade em peso não acreditou. Ninguém acreditava. Ela só disse oi e que nos veríamos na próxima reunião. Bragg! Que medo. Achei que ninguém ia aparecer na reunião. Até “sapo de fora” estava lá para ver. Ela chegou. Deus do céu! De uniforme caqui calça curta acima das canelas secas, sem o lenço e um chapéu que parecia ser maior que sua cabeça. Dirigiu o cerimonial com perfeição. Depois foi até ao meio da ferradura, fez a saudação, disse a Promessa colocou o lenço e virou para tropa dizendo – Confiem em mim como eu irei confiar em vocês. Foi o início. Chamou os Monitores. Falou com eles por cinco minutos. Vou dizer uma verdade foi a melhor reunião de tropa Escoteira que já participei. Onde ela aprendeu? Era Escoteira? Onde? As mulheres não só eram autorizadas na Alcatéia? Um mistério.

                   Dois anos com a Chefe Dona Noêmia. Ninguém tirava o dona. Um medo danado. Mas aos poucos fomos aprendendo a admirá-la, a gostar dela. Uma noite em um Fogo de Conselho ela nos contou uma bela história. De uma menina perdida cuja mãe morrera e ela não tinha ninguém. Sua luta, sua vontade em acertar, criou em redor de sí uma aureola de rigidez, para que ninguém pudesse aproveitar dela. Uma história linda e triste. Só mais tarde é que a história se explicou para mim, era a história dela. A tropa passou a amar a Chefe Dona Noêmia. Todos tinham a maior admiração. Antes poucos sorrisos agora em profusão. A cidade não entendeu nada. Ainda no Grupo Escolar e entre seus alunos hoje crescidos o medo existia. Na tropa adorada pelos escoteiros.

                Dois anos e quatros meses de felicidade na tropa Escoteira. Cheguei a tirar minha Primeira Classe. Pensava triste quando fosse passar para os seniores. Não queria. Mas sabia que não podia continuar com quinze anos. Um sábado a Chefe Dona Noêmia não apareceu. Preocupação geral. Nunca faltou. Toda a tropa resolveu ir ver o que ouve. Fomos juntos a sua casa. Vinte e oito meninos Escoteiros singrando a Rua Dom Pepino. Medo de bater na porta. Mas eu fui. A porta estava encostada. Tremendo abri. Chefe Dona Noêmia caída no chão. Ainda respirava. Pedimos ajuda. Levada ao hospital foi constatado ataque cardíaco. Ficou entre a vida e a morte dois meses. Na tropa não sabíamos o que fazer. A Corte de Honra se declarou em sessão todos os sábados. Numa quinta Chefe Dona Noêmia se foi.

               O escotismo para mim nunca mais foi o mesmo. Mesmo nos seniores uma saudade “danada” de Chefe Dona Noêmia. Ainda lembro até hoje o mutirão que fizemos a procura de rosas brancas em toda a cidade para suas exéquias. Nunca vi tantas em seu tumulo. Todos os escoteiros acharam que eram suas preferidas. Ate hoje uma vez por mês ainda vou lá. Em frente ao seu tumulo coloco um buquê de rosas brancas. Em minha mente vem a frase do poeta: - “O que sinto por você é tão delicado como pétala de rosa branca desabrochando ao luar”. Dou um sorriso. Na minha mente faço uma oração. A única que aprendi e que me disseram ser Escoteira.


"Senhor, ensina-me a ser generoso, a servir-te como mereces, a combater sem temor das feridas, a dar sem contar, a trabalhar sem descanso. A sacrificar-me sem esperar. Outra recompensa, que há de saber que faço a tua santa vontade”.

sábado, 2 de maio de 2015

Nunca desista de sua jornada nesta vida.


Hora de recolher. Amanhã é outro dia...
Nunca desista de sua jornada nesta vida.

                          Subida forte, muito forte. O sol não perdoava aqueles escoteiros que se arriscavam a subir a Montanha dos Papagaios Azuis naquela hora do dia. Os pés trôpegos. Um olhar para o chão e sempre tentando dar mais um passo. Olhar para frente era de desanimar. A trilha contornava a montanha e parecia que o caminho não ia terminar nunca. Meu Deus! A mochila parecia ter triplicado seu peso. Vontade de parar e esconder nos arbustos daquele sol inclemente ou desistir e voltar. Meus companheiros insistiam em ir em frente. Os cantis vazios. A boca ressecada. Tinhamos que chegar a Fonte da Juventude para matarmos a sede. Ela estava longe, mas cada passo trôpego, cada passo mal dado era mais uma distância vencida. Dizem que na caminhada da vida sempre existem muitos desafios, surpresas, tristezas e alegrias sem fim. Sabemos que em cada passo nos deparamos com situações que afligem, nos fazem sentir desespero e até mesmo chorar. Desistir? Nunca. Uma palavra que não existe entre nós Escoteiros.

                         Não importa que a cada lágrima caída, cada sorriso dado, nós sabemos que tudo estará anotado no diário de Deus. Ele anotou tudo sem nada esquecer. Nesta jornada ele viu nossas lutas, nossos choros, mas ele foi firme com sua escrita e não se esqueceu de anotar a vitória da chegada. Todos nós nem imaginávamos o que encontraríamos depois da curva do destino. Seria a Fonte que nos mataria a sede? Um poeta disse uma vez que caminhar com bom tempo, numa terra bonita, sem pressa e ter por fim da caminhada um objetivo agradável não seria uma maneira de viver feliz? Todos nós sabíamos que mesmo ao terminar a caminhada sempre haveria mais um caminho a percorrer. As jornadas da vida nunca irão terminar.

- Uma poetiza assim escreveu: - Um dia chegarei ao fim da jornada. Terei os pés cobertos pela poeira da estrada, a pele queimada pelo sol do caminho. O corpo cansado repousará a sombra das velhas laranjeiras que meu avô plantou. O pé de camélias ressuscitará florido, beberei água do poço e rezarei agradecida.


Boa noite meus amigos e amigas que a felicidade esteja presente sempre no coração de cada um. Durmam bem e um lindo amanhecer. 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Hora de dormir, amanhã é outro dia. Eu queria dizer boa noite...


Hora de dormir, amanhã é outro dia.
Eu queria dizer boa noite...

                        Eu gostaria de lhe dizer boa noite, desejar a todos uma noite linda e um lindo luar no céu. Gostaria de pedir a Deus que desse a todos os meus amigos a felicidade que todos nós almejamos. Eu gostaria de lhe dizer boa noite, uma noite linda, daquelas que sempre vimos nos acampamentos, com muitas estrelas no céu, Cometas riscando o espaço sideral. E em sua passagem fazer um pedido: Meu Pai que está no céu faça de todos nós um instrumento de vossa paz. Eu vou dizer boa noite já pensando no alvorecer. No sol que vai surgir nas brumas que iram desaparecer. Eu quero dizer boa noite, ouvindo o som murmurante da cascata, que nos deu a água pura da fonte nos campos do Senhor. Ah! Isto mesmo, eu quero dar boa noite a todos vocês que um dia com bênçãos de Nosso Senhor nos fez amigos. Amigos neste mundo e amigos para sempre quando nos encontrarmos aqui na terra ou em uma estrela brilhante, quem sabe na morada onde os Escoteiros se encontram e lá podemos dizer - Amigo, que bom te encontrar aqui! Dá-me um abraço e sorrindo vamos dizer um para o outro: - Sempre Alerta, você sempre fez morada em meu coração!


Boa noite meus amigos e amigas. Uma feliz sexta cheia de sol, cheio de sonhos, cheio de sorrisos dos familiares que estarão ao seu lado. Que Deus vos acompanhe sempre!

terça-feira, 28 de abril de 2015

Sonhos de um Velho Escoteiro. O semeador de felicidade.



Sonhos de um Velho Escoteiro.
 O semeador de felicidade.

                      Eu gostaria de ser um mágico. Um mágico de ilusões reais. Onde minhas mãos tocassem tudo se transformaria. Poder tocar em você e fazer seu sonho transformar em realidade. Não seriam ilusões de riquezas e poder. Seriam ilusões  onde a vida se transforma na natureza levando um frescor da primavera as mentes mais saudosas do desejo de mudar. Flutuar sobre as ondas do mar até onde a vista possa alcançar só para sentir o barulho das ondas sem embarcação no meio do oceano. Eu gostaria mesmo de semear a felicidade por onde eu passasse. Fizesse sorrir aqueles olhos tristes de alguém que se foi e o trouxesse de volta. Semear um novo sorriso a quem acha que o mundo não merece um doce sorriso ao amanhecer e ao entardecer.

                    Eu gostaria de ser um mágico. Com uma varinha de condão trazer o colorido do arco íris a criança que sonha em ir até ele. Dar a ele o pote de ouro que ele acreditou que teria lá. Levar um lago azul com montanhas brancas e geladas aos sonhadores do mundo. Mostrar que cada um de nós consegue conduzir um rumo a esta felicidade não alcançada se tivermos fé. Fé que remove montanhas. Ah! Como eu gostaria de ser um semeador de felicidades. Semear a brisa do outono para trazer de volta o perfume das flores que se esqueceram de florir. Semear em uma estrada belas canções que pudesse levar a todos a alegria de cantar nesta jornada da vida que estamos a passar. Levar um sorriso de uma criança a todas as criaturas que se esqueceram de sorrir. Fazer aquele que chora esquecer sua tristeza. Eu faria isto e muitos mais se fosse um semeador de ilusões reais.

                     Eu gostaria mesmo de ser um mágico. Para dizer que valores são preciosos quando conquistamos com um sorriso. Quando um aperto de mão verdadeiro tem valores que poucos podem medir. Eu queria com minha varinha mágica criar uma bela montanha verdejante no topo do mundo e colocar lá toda a humanidade dando as mãos num gesto de fraternidade. Eu gostaria com semeador de felicidade, fazer as árvores sorriem quando uma Tropa arvorou sua bandeira. Com um simples gesto deixar que aqueles jovens Escoteiros pudessem ver como a natureza é linda, como é fácil com um simples toque da imaginação alcançar um mundo colorido que todos nós sonhamos. Que a noite as estrelas piscassem seus brilhos em cores faiscantes para iluminar a trilha e o caminho de cada um no seu amanhã que vai nascer.


                     Um semeador de ilusões reais com um simples toque de mão. Tentar mudar as dores do mundo para os que acreditam que elas podem acabar. Com minhas mãos criar um banco dourado para que os sofredores pudessem sentar em frente a um lago azul esperando um nascer do sol... E com um simples aceno de mão, fazer tudo mudar. Gravar em um som inimaginável um bando de andorinhas voando pelo sol vermelho do horizonte que semeiam lindas canções de amor. Mãos mágicas que eu não tenho. Semear felicidade eu gostaria, mas não posso. Nem sempre palavras atingem aqueles que mais precisam. Mas eu não desisto. Nunca desisti. Contra ou a favor procuro sempre ser um semeador de felicidade. Que bom seria se em todas as dificuldades qualquer um fosse um mágico e dissesse – Abre-te Sésamo! E as tristezas seriam guardadas para sempre na caverna da vida e assim viveríamos felizes para sempre!

domingo, 26 de abril de 2015

Nossa! - Que vontade de acampar.



Ora de dormir, sonhar acampar e não acordar jamais...
Nossa! - Que vontade de acampar.

                    Tem dias cheio de nostalgia, me vem uma imensa vontade de acampar. Vontade de pegar a mochila e sair por aí indo onde o vento me levar. Você levanta, põe os pés no chão. Olha pela janela o sol entrando, dá um sorriso e diz! Bom dia a todos que não vejo e hoje é o meu desejo é que aproveitem bem este dia. Com os braços na janela olho para o céu azul, vejo o sol nascendo e caramba! Volto no tempo, nos tempos que já se foram e que sabemos não voltam mais. Se vê ainda menino, abrir a porta da barraca sorrindo, pois era tempo de enfrentar um novo dia. Você esfregava os olhos, olhando os seus companheiros que dormiam sono solto, e começava a cantar: - – ¶Alô! Bom dia! Como vai você, um olhar bem amigo, um certo sorriso um aperto de mão! E a gente fica sem saber como e porque, e passa a sorrir e passa a cantar, alegre canção!¶

                    Eu adorava cantar nas madrugadas no campo. Era um bálsamo quando me levantava e sempre às seis da manhã. Bem, agora o sonho se foi, ficou somente a saudade, que nesta minha idade não vou esquecer jamais. Não dá mais. O jeito é tomar um café e colocar o pé na estrada mesmo tropeçando na trilha da minha rua querida lá vou eu com minha bengala amiga. Um quilometro percorrido, o sol já havia nascido,  volto e espero a respiração voltar. Passa  um vizinho caminhante dá bom dia falante e se vai. É hora de começar a rotina. Sonhar sempre acordado. Isto eu adoro demais. Sabem como fazer? Fecho os olhos e deixo a mente voar solta no tempo, em busca dos meus sonhos de menino de um dia que já se foi. As tralhas que não se esquece, estão lá no meu baú. Vou aos poucos acarinhando, apetrechos vou juntando. E sem maldade apanho a minha mochila, meu cantil, minha faca e machadinha, minha bússola, capa negra velha amiga de tantos tempos atrás. Não me esqueço da lanterna, até meu cabo solteiro, o meu chapéu mateiro sempre a sorrir para mim. Uma muda de roupa, shorts, cuecas, meias, material de higiene, uma toalha pequena alguns comprimidos, e minha pequenita caixa de primeiros socorros já foi montada. Agora lá vou eu voando nas minhas asas da imaginação, nos meus sonhos tão sonhados, por este mundo de Deus. Não esqueci o canivete suíço, os talheres fixos, e duas caçarolas sem alça encaixadas entre si. Não levo nenhuma barracas. Não sou nenhum panaca pois sou mestre mateiro, afinal um bom e valente Escoteiro, sei dormir acompanhado de estrelas lá no céu e se for preciso eu faço de olhos fechados uma boa cabana para dormir.

                 No bornal eu levo meu “farnel” com uma refeição ligeira, a galinha que não pia, o macarrão da sacristia, e o ovo que não quebra. Será uma deliciosa refeição. Ração B. Tudo muito simples. Nos meus sonhos eu vou pescar uns lambaris faceiros e como bom Escoteiro eu os frito no fubá. Acredito que aonde vou encontrarei algumas mandiocas, quem sabe inhames, ou mesmo mamão papaia na beira do arrozal. E a noite vou fazer uma sopa no jantar. Pode ser que dou sorte e encontro uns pés de maracujá. Maxixe eu sei que tem, pois até lá nos montes existem e é só pegar. Não vou me apertar. Vou sozinho e levo Deus no coração. Ele sabe que é meu amigo, acampa sempre comigo agradeço toda força que ele dá. Adoro acampar eu e ele, pois o silêncio acontece, e mesmo quando anoite isto me faz muito bem. Adoro acampar sorrindo,  ouvindo a passarada a cantar. Quem sabe sento a moda índia em uma grama macia para descansar. Ali na relva fresca eu espero o meu grande amigo o lobo guará, que sempre comeu sementes e nunca rangeu os dentes comendo na minha mão. Somos amigos valentes, entre nós só tem conceito de amor no coração.

                Em plena floresta na clareira que eu fiz, tem uma fonte a jorrar. Belas águas cristalinas, águas tranquilas, límpidas com peixinhos a nadar. Mais acima borbulhando cai uma pequena cascata e nas pedras bem distante um sinal de pista diz: - Agua boa para beber! Durante o primeiro dia, eu aguardo ansioso, pois é muito gostoso ver um quati e um sabiá. Quem sabe aparece uma capivara me olhando bem matreira, olhinhos pequeninos a me saudar? E a passarada cantante ali alegres esvoaçantes em volta de mim? Gente! Que saudades. E no meu acampamento de sonhos, viajo nos meus sonhos, pois eu estou acampando, por terras que nunca vi. Neste campo de fantasia, é minha morada do dia e deixo o tempo passar. À tarde me sento em frente ao remanso, pois é um belo descanso, e ver um Inhambu ou uma cotovia voando baixo vistoso, querendo os peixinhos pegar. E à tardinha depois de um jantarzinho jeitoso, lá vou eu ao pico Formoso, ver o sol no alto do morro, a por dizendo adeus. E ele como bom companheiro me diz: - Calma amigo Escoteiro aguarde que amanhã vou voltar. Visão fantástica, maravilhosa. Quando lembro meus olhos vermelhos choram de saudades, Jesus, é muito é bom lembrar...

                 E quando a noite chegar, uma pequena fogueira vou montar, alumiando a bagaceira queimando um galho qualquer. Sentado na grama molhada estico o braço e lá esta minha gaita de fole escocesa, limpa e pronta para tocar. Aos poucos lindas canções são tocadas, musicas Escoteiras interpretadas e a mata sorri ao ouvir. A passarinhada acorda e vem voar em volta de mim. Baixinho calmo sem forçar a árvore da montanha vou tocar. Guinganguli. Toadas da serra. Terra do belo Olmeiro. Avançam as patrulhas a linda  Canção da Promessa e deixo para o final a saudosa despedida da Canção tão conhecida. Até a floresta noturna, com seus vagalumes vistosos iram comigo cantar. Fecho os olhos e sinto no ar, o doce farfalhar do orvalho, fagulhas que vão e vem, sobem aos céus faceiras viajando a Escoteira para sumir no ar. Se tiver sorte o que sempre tenho a Coruja Buraqueira, com aqueles olhos tão lindos, incrivelmente belos, iria piar e me dizer: -  – Meu amigo escoteiro, boa noite tenha um sonho verdadeiro, acorde pela manhã, vais ouvir a passarada em minha floresta encantada que aqui vem te saudar.


                 Não sei se teria sono. Não sei. Mas lá pelas tantas da noite, deitado na relva macia, iria admirar as acrobacias, que fazem as belas estrelas no céu. Maravilhar com o firmamento sentindo no rosto o vento e ver... Aquele brilho próprio de um universo fantástico. E ali na noite fria, eu ia me perguntar por que ainda alguns duvidam da existência maravilhosa do criador. Chega a hora do boa noite. Boa noite floresta, boa noite Coruja deixo para você o luar. Boa noite vagalumes que em cardume fazem um lindo clarão no ar. Ainda de olhos abertos através da porta da barraca, eu ainda olharia os insetos noturnos cujo espetáculo imperdível não ia perder seus bailados. E ao amanhecer sorrindo, na porta do céu tão lindo, um pintassilgo amarelo chamou seus amigos a me saudar, cantantes me deram bom dia e juntos em harmonia, me disseram que o dia vai começar. Eles velaram meu sono. Trouxeram o grilo falante para fazer acordar. Mas tudo que é bom dura pouco. Uma voz calma e linda me chama: - Meu marido, hora do almoço. Acorde! Caramba! E lá se foi meu sonho acordado. E a tarde, quem sabe de novo eu volto a sonhar nos momentos, com os belos acampamentos, e viver belos momentos que um dia fui presentado por Deus.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Hora de dormir, amanhã é outro dia. Ser Escoteiro...


Hora de dormir, amanhã é outro dia.
 Ser Escoteiro...

É gostoso é bom demais, sentir o cheiro do mato,
Ouvir o som do regato, o cantar de um sabiá,
Um vagalume perdido, o uivo de um lobo guará,
Lá ao longe bem distante, nas montanhas verdejantes,
Onde ele uiva errante, onde é o seu habitat.
Gente que coisa boa, beber água da nascente,
Tão fresca e tão brilhante, de olhos fechados sorrindo,
Sentir o orvalho caindo, no rosto daquela manhã.
Do som da passarinhada ao anunciar nos gritantes,
Até o grilo falante, que canta ao alvorecer.

E lembrando-se da verdade que sem fazer alarde,
Seja na sede ou acampando, seu saber estás buscando,
Para ser alguém amanhã. Bom demais ser Escoteiro,
Correr em busca do tudo, sentir no corpo o orgulho,
De cumprir a promessa a lei. Está é nossa missão.
E você lembre-se de sua promessa, e do que prometeu,
Que seria homem honrado, do escotismo apaixonado,
A correr montes e vales, em busca das aventuras,
Que só podemos encontrar, no nosso escotismo amado.
“Do poema Ser Escoteiro”


Boa noite meus amigos e minhas queridas amigas que me dão tanta esperança nos meus contos e nos meus versos. Durmam com Deus. Uma amanhã radiante em um belo amanhecer!