No mundo dos sonhos com as fábulas escoteiras

No mundo dos sonhos com as fábulas escoteiras
A aventura está apenas começando

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O último adeus do Velho Lobo.



Contos de Natal.
O último adeus do Velho Lobo.

                Para ele seria o mesmo natal de sempre. A família reunida, os netos correndo pela casa, as conversas dos filhos, tudo muito parecido com os anos anteriores, mas sempre com um sabor especial. Quarta feira, 24 de dezembro. Ele acordou cedo. Tomou seus remédios e sem o desjejum partiu. Era sempre assim. Uma volta no bairro para sua caminhada matinal. Sabia que no retorno o café fumegante estaria pronto. A família sempre se reunia à tarde, e por volta da meia noite todos iam a mesa para se refastelarem com o magnifico manjar da Mama. Ele já havia notado uns lapsos de memória e sabia a tempos que seus pensamentos se misturavam. A Santa Catarina pirolim pirolim pom pom, era filha do Rei”♫. Sentiu-se cansado e sentou em um ponto de ônibus na avenida próxima a sua casa. Fechou os olhos para tentar fazer sua mente voltar ao presente. Não sabia como, mas o ônibus chegou e ele entrou. Sentou na frente. Porque fazia isto? Ele não sabia. Nunca fez isto antes. Na viagem que ele não sabia o destino se lembrou do seu passado. Se viu menino escoteiro na Mata do Morcego. Encurralado em uma árvore por uma jaguatirica. Ela o olhava com olhar amigo. Ele não acreditava. ♫”Acenda, Fogo, acenda, Acenda essa fogueira”. Aqueça minha tenda e ilumine essa clareira! ♫...

          - Senhor aqui é o ponto final! – disse o motorista. – Mas como vou fazer para voltar? – Espere o próximo ônibus. Este vai se recolher a garagem! Ele desceu. Não sabia onde estava. Lembrou-se quando sênior acordou em um vale enorme, cheio de pássaros cantantes e uma cascata que faziam um barulhão. Ele não sabia onde estava quando saiu da barraca. Chegaram à noite perdidos e sem rumo certo. ♫ “Acorda escoteiro que o galo já cantou, cantou, cantou o galo já cantou... Co-co-ro-có.... ♫. Olhou para um lado e para o outro, uma enorme avenida e milhões de carros passando de um lado e de outro. Prédios enormes. Qual ônibus para voltar? Ele não sabia. Não sabia de mais nada. Esquecera seu telefone e endereço. Nunca saia com seus documentos pois sua volta no quarteirão era pequena. Viu que nem dinheiro tinha – Seu guarda, preciso voltar para casa – Onde o senhor mora? – Não sei! – Seu nome? – Não lembro. Sei que me chamavam de Velho Lobo, eu fui escoteiro. – O guarda o olhou de esguelha. – Não posso ajudar, atravesse a rua e ande dois quarteirões. Vais encontrar uma viatura equipada com rádio. Quem sabe podem ajudar o senhor! ♫ “Avançam as Patrulhas, lá ao longe, lá ao longe. Avançam as Patrulhas, cantando com valor, lá ao longe!”“... 

           Teve medo ao atravessar. Nunca viu tanta gente correndo e querendo chegar do outro lado. Confundiu-se e no meio do caminho parou. Sua mente o levou até o Despenhadeiro do Lobo. Um medo incrível de escorregar e cair. Ele ficou pendurado em um galho e se não fosse o Nonato cozinheiro tinha morrido.  ♫ “Rigor, Boom, rigor, boom. Vem correndo depressa Escoteiro Ajudar o cozinheiro a fazer um jantar supimpa, supimpa Parazibum, zibum” ♫. Parou no meio da avenida. Nunca sentiu tanto medo. Ninguém se preocupava com ele. Mesmo com seus 87 anos ele ainda pensava que podia manter o domínio de sí mesmo. Em passadas largas atravessou a outra parte da avenida. Sentiu que alguém o segurava por trás e na frente um jovem lhe deu um murro na barriga. Ele sentiu uma dor tremenda. Ali na calçada estava sendo assaltado por pivetes e ninguém o socorreu. ♫ “Como é feliz o acampamento na floresta, Junto de nós passa um riacho a murmurar, cantam as aves em seus ninhos sempre em festa, o vento sopra a ramagem a cantar!” ♫. Uma moça o pegou com braço e mandou-o sentar próximo ao vão do MASP. Eram duas da tarde, ele precisava dos seus remédios. A fraqueza chegava e ele sabia que não ia aguentar.

               Precisava comer. Em sua casa já teria almoçado. Lembrava que nem o café da manhã tomou. Levantou com dificuldade. Viu uma lanchonete, viu coxinhas, e bolinhos de carne. – Moço eu posso comer um e pagar depois? – O garçom riu. - Sem dinheiro necas meu Velho. Saiu andando em passos trôpegos. Começou a sentir tontura. Sabia por quê. A diabete fazia efeitos em seu corpo. ♫ “Quando se planta la bela polenta, la bela polenta, Se planta cosi. Se planta cosi. Oh!, oh!, oh!, bela polenta cossi” ♫. A tarde chegou de mansinho e as luzes dos postes se ascenderam. O frio começou a fazer efeito em seu corpo. Não tinha blusa. Uma senhora negra riu quando viu que ele tiritava de frio. Lembrou-se quando se aventurou no Deserto de Atacama e no Vale da Morte. No dia um calor de rachar a noite o frio era demais. – Venha comigo ela disse. Debaixo do viaduto tem fogueiras feitas pelos meus amigos. Ele foi. ♫ “Em Silêncio acampamento, este canto vinde ouvir, são fagulhas da fogueira que nos dizem escoteiros a Servir” ♫...

            A noite foi cruel. Mesmo em volta daquela fogueira ele pensava que não iria resistir até o outro dia. Carros passavam proximo buzinando. Era noite de natal e ele não se lembrava do seu nome, de sua família só lembrava-se do seu apelido. Velho Lobo. Lembrou-se também da subida no Pico da Manada no Peru. Dormiram encostados em uma enorme pedra onde cabia só dois e eram cinco! Foi lá que pela primeira vez viu a neve que caia em flocos brancos e lindos de ver. ♫ “Longo é o caminho, longo, longo, mas andaremos sem parar! Duro é o caminho, duro, duro, cantemos para não cansar!” ♫... Dormia e acordava, dormia assentado encostado a lateral do viaduto. Os seus novos amigos dormiam tendo como cobertor papelões que eles guardavam das lides onde recolhiam lixo reciclado para sobreviver. Ouviu ao longe alguém cantando uma canção de natal. Lembrava vagamente quando em uma reunião de Giwell em um Jamboree alguém contou uma história de natal. A lembrança o emocionou. ♫ “Eu era um bom lobo um bom lobo de lei. Não estou mais lobando, o que fazer não sei, me sinto velho e fraco não sei mais lobear, logo a Gilwell Assim que eu possa vou voltar” ♫...

            O dia amanheceu. Ele estava fora de si. Sentia falta de ar, tremia e quase não ficava em pé. Seu corpo não obedecia a sua mente. Como um robô saiu cambaleando pela rua. As pessoas desvencilhavam-se achando que ele estava embriagado. Até uma senhora disse bem alto – “Com esta idade e bêbado pela manhã”? Ele começou a se sentir mal. Uma dor enorme no peito. Sabia que era seu fim. Seus olhos se fecharam. ♫ “Prometo neste dia, cumprir a lei, sou teu escoteiro, Senhor e Rei. Eu te amarei pra sempre, cada vez mais. Senhor minha promessa, protegerás” ♫... Viu sua mãe sorrindo, como ela era bela e nova. Viu seus irmãos e irmãs que já tinham partido ali acenando. Fechou os olhos e esperou ser chamado para subir aos céus com eles. Acordou assustado em sua cama em seu quarto. Toda sua família em volta sorrindo. Era sua mulher, eram seus filhos, seus netos e vizinhos. O quarto cheio de gente. Bem vindo Papai, bem vindo marido, Vovô estava morrendo de saudades! Então não tinha morrido? Viu próximo uma jovem uniformizada de Escoteiro. – Quem é você? Foi sua esposa quem contou – Ela viu você caindo e dizendo ser um Velho Lobo. Sabia que você era um Escoteiro. Pediu um taxi e o levou ao pronto socorro. Telefonou para várias delegacias e uma delas já sabia do seu sumiço. Comunicaram por telefone. Ela meu marido, foi seu anjo de natal!


Bravo, bravo Bravo, bravíssimo, bravo, bravo bravo, bravíssimo bravo, bravíssimo bravo, bravíssimo bravo, bravo bravo, bravíssimo” ♫...

domingo, 15 de dezembro de 2013

São coisas do passado.




Conversa ao pé do fogo.
São coisas do passado.

        Jovens Escoteiros e jovens escoteiras. Estou aqui a imaginar vocês em volta de um fogo amigo, em uma clareira de uma floresta onde o verde se foi e agora a noite chegou, com um riacho cantante ao lado, fazendo seu caminho de sempre a procura de um rio e depois o mar. Sei que vocês estão ali porque ainda acreditam na beleza do escotismo. Sei que vocês já sentiram o cheiro da terra, o perfume da floresta, a brisa gostosa que sopra do lago dourado, um poente que nunca irão esquecer. Sei que agora aqui em minha volta, assentados neste banco tosco feito de madeira simples, quem sabe a saborear um café brasileiro cujo bule cheio está a manter o calor, bem próximo à pequena fogueira. Não é um fogo do conselho e vocês sabem disto. É apenas uma conversa ao pé do fogo sem eira e nem beira, sem inicio e sem fim. Todos estão ali para jogar conversa fora, mas que não escapa algumas frases que saem de dentro do coração.

     Cada um de nós, vocês e eu vivemos uma vida diferente de muitos outros rapazes e moças. Hoje sabemos o valor dela e com o passar do tempo também poderão valorizar mais e mais aqueles que viveram nas benesses escoteiras. Quando o inverno chegar daqui a muitos e muitos anos quem sabe, irão sentar em algum canto da casa e deixar o pensamento correr pelos céus, a perseguir a borboleta verde que perdida na rua vazia, irão sorrir ao lembrar-se do seu passado. Dizem que não é triste lembrar o passado, triste mesmo é não ter passado para lembrar. Confirmam-me os poetas que fechar os olhos e lembrar-se do passado é a maior máquina do tempo e o melhor remédio para o homem. Quantas coisas belas vocês viveram no escotismo? Se ainda não viveram façam elas se tornarem realidade. Não deixe que a inercia de uma vida sem aventuras aconteçam com vocês. Não reclamem que nunca deram nada a vocês. Nada cai do céu aleatoriamente. A montanha não é intransponível. Será sim se ficarem a admirar sua beleza sem pisar em suas terras no mais alto cume que puderem alcançar.

        Sabem meus amigos e minhas amigas escoteiras que estão aqui na frente da minha barraca, aproveitando o calor gostoso desta noite fria, a falar de amores, de sonhos e de belas coisas que estão vivendo e poderão conhecer melhor. Não siga a rotina da vida, lutem para sair da caserna pelo menos uma vez. Se acamparem procurem ver o que poucos Escoteiros e escoteiras conseguiram ver. Quantas estrelas têm no céu? Quantos cometas passaram em chispas velozes e quantos pedidos vocês fizeram? Olhem aquela campina, vejam quantas flores silvestres. Não as tire do seu habitat, vá até elas, sinta o perfume de cada uma. Feche os olhos e sonhe que poderia ser também uma borboleta dourada, um beija flor azul e branco a voar pelos vales floridos. Inocência? Pode até ser, mas é uma inocência gostosa de fazer e sonhar. Deixe seu cérebro acompanhar o lumiar dos vagalumes, procure ver na árvore próxima os olhos enormes de uma coruja esverdeada. Veja quanta beleza! Cantem a velha canção – “O espírito da coruja mora neste acampamento”!

       Saboreiem meus caros Escoteiros e escoteiras o cantar dos pássaros no céu. Regozijem com um amanhecer maravilhoso. Saiam da barraca para apreciar os pardais a tocarem suas sinfonias impossíveis. Se possível sinta o gosto da água retirada de uma pequena nascente, tomada em uma folha que colheste no pé da arvore encantada. Hoje o dia findou. Sei que cada um de vocês cantou, correu, criou pioneirias fantásticas e viram o sol seguir seu caminho para o oeste. Sei que bombasticamente viram sua bandeira a saudar a natureza aproveitando o vento que lhe trouxe a paz. Não ouve chuvas, não precisaram ver que se tens vento e depois agua deixando andar que não faz mágoa, e nem se tem agua e depois vento e não foi necessário pôr-se em guarda e toma tento. Risos. Não foi preciso. Um céu de brigadeiro aconteceu. Agora fechem os olhos e imaginem quantas coisas belas vocês aprenderam e estas coisas estão armazenadas em cada um dos seus cérebros nos imagináveis chips da vida.

      Que outras centenas de conversa ao pé do fogo aconteçam com vocês. Alguém me disse que não se vive mais o espirito de aventuras, que não se vive mais o sentir a natureza em todo seu esplendor. Dizem que agora os tempos são outros. Um poeta sempre ele me disse que nós humanos somos os únicos seres que conseguimos pensar no futuro. Lembrar-se do passado e “destruir” o presente. Não sei se acredito nisto. Nas minhas noites enluaradas ou não, ao pé de um fogo amigo quantas histórias eu tenho para contar. Vejo meu amigo Gilliard que não é Escoteiro, mas que dizia: - Posso usar meu dia para imaginar o Futuro, agir no Presente ou lembrar-se do Passado. O Segredo é saber extrair o máximo da década de cada um deles. Lembrar-se do Passado apenas o suficiente para fazer do Presente um bom lugar para viver, e a cada dia tornar realidade um Futuro mais feliz e mais real.

         Nós, você, eu e todos os membros participantes do movimento Escoteiro temos nosso quinhão de responsabilidade para fazer uma vida melhor, onde a alegria e a felicidade estejam conosco, presas em nossos corações para sempre. E assim quando todos vocês meus jovens e minhas jovens escoteiras chegarem na minha idade, poderiam dizer para si  próprio ao recordar. Em fiz parte, eu ajudei, eu sou um deles. Como fui feliz e nunca esqueço que até hoje ainda sou feliz! Oh! Meu Deus, obrigado por me dar a oportunidade de recordar!

          

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

De Volta para o Futuro – parte I



Ontem postei aqui de Volta para o Futuro II. Fiquei a vontade com o primeiro.

As crônicas de um Chefe Escoteiro.
De Volta para o Futuro – parte I
(Bach to the Future)

         Uma volta ao passado, diferente do que fez Robert Zemeckis na sua trilogia De Volta para o Futuro. Quisera eu ser tão inteligente como o Dr. Emmett L. ‘Doc’, o Doutor amigo de Marty McFly que em três deliciosos episódios voltam no tempo precisamente em 1955, no DeLorean, um automóvel que se transforma em uma máquina do tempo. Quem me dera ter este carro para viajar no tempo. Assim sou obrigado a conviver com minhas memórias, cujos chips estão em fase de desgaste natural pela idade. Neste retorno no tempo, procuro fazer analogias do passado com o presente. Difícil, comparativamente é quase impossível, mas vamos lá.

        Um grupo simples. Nada de coisas maravilhosas. Mal e mal cinco cadeiras uma mesa, uma pequena escrivaria, daquelas antigas, cujo tampo se fecha ao terminar a jornada. Uma salinha onde cabiam todos os nossos sacos com quatro alças de intendência, quatro carrocinhas, inclusive também usadas pelos seniores, e uma saleta pequena para os lobinhos. Um pátio de uns seiscentos metros quadrados e se chovesse corríamos para a rua onde havia uma serraria e lá nos escondíamos. Nosso Chefe de Grupo, um Sargento da Polícia Militar gente boníssima ia ao grupo quinzenalmente. Nosso Chefe Jessé, um bom camarada. Não participava de todas as reuniões. Fora Escoteiro e Sênior, mas casou e conseguiu se empregar na Cia. Vale do Rio Doce. Um serviço que o levava em viagens em fins.

         Nas reuniões ele chamava o Romildo, o mais velho dos monitores, o qual todos nós o chamávamos de guia da Tropa. Entregava a ele uns rabiscos para as reuniões futuras. Ele chamava os monitores, conversavam e as reuniões saiam. Em quase todas sempre uma ou outra Patrulha ia acampar. Nossa vida Escoteira era mais ao ar livre que dentro da sede. Atividades externas? Procurávamos o Chefe Jessé no seu trabalho ou em casa e avisávamos aonde íamos horário de saída e retorno. Mais nada. Nosso treinamento era feito por nós mesmos. Sem ser presunçoso, sabíamos de olhos fechados técnicas que hoje poucos sabem. Nosso Chefe do Grupo entrava em contatos com mais três grupos em cidades próximas. Sempre nos levava a acampar com eles. O trem e a bicicleta e nossa Carrocinha da Empresa de Viação Vulcabrás (andar a pé) eram nossos meio de transporte. As carrocinhas serviam para acampamentos mais próximos a nossa cidade. Era lindo ver as quatro patrulhas uniformizadas, vários escoteiros segunda e primeira classes, mostrando que a maioria tinha três, quatro ou cinco anos de atividade.

          Hoje? Dificilmente. Tudo mudou. Nada poderia ser como antes. As grandes cidades não oferecem condições mínimas de segurança. Mas olhem pegando carona no DeLorean, eu vou a 1961, 1975 e 1980 e 1990. Vários grupos. O último que participei muito do que fiz eu fiz com eles também. Nossa evasão não ultrapassava cinco por cento. Começamos com dois jovens e quando saí tinha 160 membros do grupo. Na época era um dos Grupos que mais possuíam Liz de Ouro e Escoteiro da Pátria no estado. Concordo inteiramente que haja novos critérios, novas normas, pois agora se precisa disciplinar toda a organização. Estão a aparecer muitos rebeldes cheios de megalomanias. Declaram-se do contra, oposicionistas e quer saber? Para mim não são diferentes do que se acham donos do escotismo atual. Tem outros que fundam organizações a torto e a direito, mas é um direito deles e eu respeito. Mas voltemos a 1961. Ainda uma época das antigas. Um grupo, em uma igreja. Começamos com oito. Quando saímos de lá tinha cento e quarenta membros. Tínhamos duas tropas como filiais. Risos. Em uma cidade bem próxima.

          Volto de novo em meu DeLorean a 1955. A técnica se sobrepunha a teoria. Nada de grandes relatórios sobre isto ou aquilo. Cursos? Necas, era a arte de aprender a fazer fazendo. Tudo muito simples. Se um dia puderem ver como eram as etapas para se conseguir as estrelas, ou as classes de segunda e primeira poderão ter uma ideia melhor. Não eram tão simples assim. Você olhava um Escoteiro, seu uniforme, sua postura, sua disciplina e principalmente sua ética e honestidade junto aos amigos da patrulha para se orgulhar. Nada que difere hoje. Muitos também são assim. Já dizia nosso Mestre BP que se conhece o Escoteiro pelo seu uniforme. Será? Hoje dizem que não. Dizem que o uniforme não faz o Escoteiro. Bem, cada um entenda como quiser.

          São épocas. Cada um que viveu a sua tem boas lembranças. Mas aqueles do passado se orgulham muito do tempo que ficavam no escotismo. As patrulhas eram completas, todos uniformizados, poucos novatos. Se apareciam interessados, melhor abrir uma segunda tropa. Mas chega de lembranças. Lembra-me o Dr. Emmett L. ‘Doc’ que o DeLorean precisa voltar ao presente. Saudades sim, mas tristezas não. Vamos embarcar neste carro mágico. Não quero ir para o futuro distante. Tenho medo. Não sei o que vou encontrar lá. Hoje encontro bom escotismo ainda. Bons chefes dedicados. Pena que não temos mais aquele gostinho da aventura do passado. Mas o passado se foi não? Bom mesmo foi o Marty McFly. Foi no passado, no futuro, em outra dimensão do presente e se deu bem. Bach to the Future, vamos lá de volta para o futuro parte II proximamente.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

De Volta para o Futuro II. (Back to the Future Part II)



Crônicas de um Chefe Escoteiro
De Volta para o Futuro II.
(Back to the Future Part II)

                  Não teve jeito. Não queria conhecer o futuro, mas ao sentar na poltrona do DeLorean do Doutor Emmett Brown me deixei seduzir como se fosse Marty MacFly investigando sua vida futura. No meu caso não era a minha vida. Já tinha voltado ao passado em De Volta para o Futuro I em 1950. Mostrei para alguns como era o escotismo naquele tempo. Agora pensei em ver como era o nosso escotismo no futuro. Fui direto ao ano estelar de 2.180. 2.180? Isto mesmo. Meus caros, que susto! Fui parar logo em uma reunião de Corte de Honra! Sabem onde estava sendo realizada? Na casa do Chefe da tropa. Ele de roupão pressurizado e chinelo voador (quando andava plainava no ar), tomava um uísque contrabandeado do planeta Uebaibe e lia o noticioso esportivo de um jornal de outro planeta de nome Bidypower, através do seu super potente Smartphone e na sua frente uma enorme tela panorâmica que ele com um simples gesto colocava do tamanho que quisesse e onde apareciam os Monitores e subs. Claro cada um em suas casas. Eles pediram para evitar a holografia, achavam que não se sentiam bem assim. Eles discutiram o porquê as patrulhas estavam diminuindo a cada ano (Ora, ora, ainda?).

                  Chefe a Zeta Leonis está com dois somente. Eu e mais um. Outro logo emendou – Chefe a Epsilon Tauri tinha quatro e agora três.  E assim foi a Kapa Leonis a Alpha Capricomi. Todos reclamando que quase nenhum jovem queria participar mais das patrulhas. – Olha Chefe, falou o Monitor da Epsilon Tauri, o Senhor sabe desde que as meninas se sublevaram para ter suas próprias patrulhas (meu Deus! Que bom!) os meninos estão desistindo. Quando elas participavam eles adoravam mais e podiam namorar vontade. O Senhor sabe fora do escotismo a Lei é severa com quem fosse encontrado beijando e nos acampamentos tudo isto era normal, pois nós praticamos o escotismo moderno. Agora estão com aquela conversa que acampamentos holográficos perderam a motivação. Sei que escolhemos bem, tentamos tudo na Galáxia de Andrômeda. E o da Grande Nuvem de Magalhães foi um fracasso. Eles querem acampamentos reais. Nada de holografias. O Monitor da Epsilon Tauri disse que eles adoraram a excursão na viagem feita pela nave Pioneer 2012 até a magnetosfera de Galileu Gallilei. Cansaram é claro, pois os jogos de videogames espaciais na nave intergaláctica não eram lá estas coisas.

                    Estava embasbacado. Este era o futuro do escotismo? E olhe que sem esperar o Diretor Técnico entrou na conversa. Avisou que a partir do mês que vem a sede Escoteira estava de mudança. Compraram em Xangai um novo Site feito pelos chineses e montaram no espaço sideral um pequeno planeta que seria só do Grupo Escoteiro. Claro eles deram o nome de Avatar dos Anéis Azuis de Saturno o nome do grupo. O primeiro Grupo Escoteiro a montar no espaço uma sede Escoteira. Todos agora podem ir lá pelo sistema de Teletransporte do Computador CAN/DEN-88782343. É só ficar sócio e se inscrever no SIGUE espacial. Qualquer cartão de crédito intergaláctico resolve. Eles aceitam. Só não dividem e nem aceitam boletos de chefes escoteiros. Porque não sei. Assim vocês podem quando quiserem ir ao grupo, mas as atividades ainda serão feitas aqui na terra por meio de holografias. Voces escolhem onde. Mas devem programar. Tivemos casos de mais de duzentas patrulhas escolherem o Pico da Neblina no mesmo dia. A empresa UEBEBE/SP quase explodiu. Não deixem de enviar pedidos de autorizações em modelo Super Espaço ao Distrital Capitão Pikard. Ou ao seu Assistente o Chefe Doutor Spock. Se for difícil encontrá-los procurem o Capitão James T. Kirk que assumiu como Comissário Espacial internacional Escoteiro. O cara viaja para todo lado.

                    No próximo sábado continuou o Diretor Técnico, estarei ausente. Vou assistir a uma Reunião da OCBGDEF. (os catorze bons gerais do escotismo do futuro) que agora estão liderando o movimento da UBEB (União Brasileira dos Escoteiros Brasileiros). Sei que não tenho mais direito a voto, pois na ultima eleição ficou decidido que só eles decidem e mandam. Vocês sabem que agora não tem mais outras organizações. Montaram um exército próprio de androides que usam o novo uniformem somente para “caçar” os tais escoteiros tradicionais e os florestais. Voces sabem que eles estão na clandestinidade. Vários Robôs escoteiros estão à procura deles. Eles serão deportados para Hidra, uma Lua de Plutão situada no Cinturão de Kuiper. Jogaram lá uma bomba Genesis e a lua virou planeta. Só tem florestas. Os tradicionais e os florestais adoram árvores e riachos de águas límpidas. Dizem que são bons em pioneirias. Que atraso de vida meu Deus! E deu boas risadas. Estava estarrecido. Sai dali correndo. Pedi ao Doutor Emmett Brown que me levasse em seu DeLorean de volta ao passado. Não me sentia bem. Isto não pode acontecer ou será que vai acontecer? Melhor parar por aqui. Estou pensando em Baden Powell. Onde ele está pode ver o futuro? Se pode deve estar chamando todos seus oficiais de Mafeking. Uma nova guerra do Transvaal deverá ser iniciada. Ou eles acabam com a UBEB ou a UBEB acabariam com eles! Mas eles tinham experiências. Os jovens do passado e agora os do futuro dariam um ótimo apoio como estafetas. Estafetas? No escotismo moderno? Só rindo mesmo, kkkkk!


                  Agradeci ao Doutor Brown pela carona. Pensei até em pedir a ele que me levasse ao passado como ele foi com o jovem Marty MacFly ao Velho Oeste. Mas fazer o que lá? 1870 ainda não tinha escotismo. Eu não queria nunca me encontrar a mercê do famigerado bandido Biff Tannen e sua quadrilha. Ainda bem que não eram escoteiros. Melhor ficar por aqui. Que façam bom proveito do escotismo do futuro. Não estarei lá mesmo para criticar. Risos. Que a UBEB seja muito feliz!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tributo a Bandeira do Brasil.



Lendas escoteiras.
Tributo a Bandeira do Brasil.

                  Ele me pediu para ficar em of. Pedido feito pedido aceito. Entendi sua posição. Achou que poderia ser ridicularizado pelos amigos do grupo Escoteiro. Mas em sabia que o que ele me dizia era verdade. Minha experiência de pseudo-escritor sobre escotismo me mostram situações inusitadas e ouvir vozes impossíveis era comum para mim. Sua narrativa era fantástica. Começou a me contar de cabeça baixa terminou com ela erguida, como se tivesse prestado uma homenagem a um pedaço de pano que para alguns não tinham valor, mas para ele era sempre foi sagrado. Vamos lá ao seu relato.

                 - Chefe, eu não costumo jurar, tenho palavra e a palavra de Escoteiro para mim vale minha honra. Eu estava na sede Escoteira. Arrumando em um armário, um emaranhado de cordas que na chegada do acampamento foram deixadas lá de qualquer jeito. Qual não foi minha surpresa que vi duas pessoas conversando. Duas pessoas? Pode rir Chefe, mas eram duas Bandeiras do Brasil. Elas estavam em cima da mesa de reuniões. Pelo que eu soube uma seria aposentada, pois estava muito velha e desbotada. Havia mais de 46 anos que estava conosco. Desde os primórdios em que o grupo foi organizado. A outra era nova. Iria substituir à velha. A principio eu achei que estava vendo e ouvindo coisas, mas não. Vou tentar contar o que aconteceu. – As duas estavam falando! Isto mesmo, conversando chefe! Duas bandeiras? Poderá me dizer. Mas é verdade. A velha dizia para a nova:

- Bem vinda minha amiga, não sabe como me alegro em conhecer você. Sabe, estou aqui há 46 anos, quinze dias e cinco horas. – Riu baixinho. Mas acho que tenho de aposentar e a Diretoria então comprou você. Eu sei que existe uma cerimonia muito bonita, que quando se aposenta uma Bandeira do Brasil, ela tem honras militares, é colocada em uma pira que junto com outras é queimada. Dizem que lá estão vários batalhões de soldados prestando homenagem. Mas quis os nossos diretores e chefes que eu devia ficar em um belo quadro de vidro na sala de recepção, pois tinham por mim muito amor e muita consideração. A bandeira velha deu um suspiro e continuou – Eu também amo todos eles. Vou lhe contar minha nova amiga, algumas lindas passagens que tive com eles. Acho que sempre me senti amada. A primeira foi uma lobinha, Cecília, ela sempre me olhava com carinho. Quando eu era içada ela fazia a saudação com orgulho. Não tirava os olhos de mim. Um dia no acantonamento, quando após o jantar alguns ficaram sem fazer nada, ela me pegou na mesa da Akelá e me levou até uma árvore. Lá com uma cordinha me amarrou e depois me abraçou-me e disse: Bandeira do Brasil, eu te amo. Quero que saiba que tenho orgulho de você. E então seus olhos se encheram de lágrimas e ela me beijou. Minha amiga, que emoção. Demais para mim.

- Depois foi em um acampamento Sênior. Eles e as guias foram acampar no Pico do Itatiaia. Procuraram a parte mais alta. Quando chegaram viram que não tinha onde hastear a bandeira. Eram só pedras. A vista era linda, mas se eu não farfalhasse ao vento naquelas alturas eles não se sentiriam realizados. Dois seniores desceram quatro quilômetros correndo e acharam uma vara enorme de oito metros. Serra acima levaram o mastro.  Entre dois vãos de pedras e outras soltas, firmaram o mastro e me hastearam. Que felicidade amiga. Ver o vento me balançando nas alturas foi demais. E a vista? Maravilhosa! Confesso que chorei de novo de emoção. E então minha amiga, aconteceu um fato que nunca mais esqueci. Aquele sim foi demais para qualquer Bandeira do Brasil. Estava arvorada em um acampamento Escoteiro, e eles jogando um jogo gostoso em volta do campo. Um redemoinho de vento me pegou. Soltou-me da arvore, e fui levado a grandes altitudes. Eles viram e o Chefe gritou: - É nossa bandeira! Salvem-na, não deixem que o vento a leve! – E a escoteirada correu atrás de mim. O ribombar de trovões, raios enormes começaram a cair em redor. Outro vento enorme e a chuva me pegou de jeito. Mas lá embaixo estavam os valorosos escoteiros. Não desistiam. Sempre atrás de mim.

- Vi um escoteiro cair, sua perna sangrando e ele não desistiu. Vi outro molhado, tossindo a chuva caindo aos borbotões e ele não parava. Molhada, cai em cima de uma árvore altíssima. Ninguém desistiu. Um escoteirinho lépido subiu a árvore com dificuldade, pois chovendo e os galhos e os troncos molhados dificultavam. Ele me alcançou. Abraçou-me. Beijou-me. Colocou-me embaixo de sua camisa. Que honra minha amiga, como eles me amavam. Foi uma festa quando cheguei ao acampamento. Todos cantavam com alegria e o Chefe pediu que ficassem em posição de sentido e cantaram com orgulho o meu hino, o hino da Bandeira do Brasil! Nunca esqueci aquele dia. Houve centenas deles minha amiga. Centenas. Agora estou aposentando. Sua vez vai chegar, vais ver como os escoteiros amam sua pátria, sua bandeira. Vais ver quando for hasteada e o vento lhe acariciar e todos vendo você farfalhando no ar, irás sentir orgulho. De saber como é amada por eles!

                      O meu narrador parou. Estava chorando. De orgulho é claro pelo que viu e ouviu. E encerrou dizendo – Sabe Chefe, era eu que iria fechar a sede naquela noite. Fui até as duas bandeiras. Abracei as duas. Apertei em meu coração. Coloquei ambas na mesa desta vez aberta. Fiquei em posição de sentido. Cantei o hino da Bandeira, disse Sempre Alerta as duas com orgulho. Dobrei as duas com as honras que ela mereciam e fui embora. Hoje a velha bandeira mora em um belo quadro de vidro na sede. Todo dia que vou lá, fico em posição de sentido olho para ela, e com amor eu digo. Amo você Bandeira do Brasil. Faço minha saudação Escoteira e bem alto digo – Sempre Alerta!


                     Vi que ele não diria mais nada. Sua voz estava embargada de emoção. Dei nele um abraço e disse – Meu jovem amigo parabéns. Você é como eu, como todos nós escoteiros. Temos amor a nossa pátria. A nossa bandeira. Sei como se sente. Sei como sente todos escoteiros de todo o mundo que amam sua bandeira. Aceite meu abraço com amor e orgulho em te conhecer. Ele saiu e fiquei pensando. Pensei muito. Difícil explicar a emoção que sentimos no hastear e arriar a bandeira do Brasil. Ainda bem que temos isto. Amar a bandeira é amar nossa nação. É nestas horas que digo e repito, me orgulho de ser Escoteiro. Serei Escoteiro para sempre!             

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Papagaio verde esmeralda do Capitão Lockhart.


Lendas Escoteiras.
O Papagaio verde esmeralda do Capitão Lockhart.

                 Calma. Nada a ver com o filme de Anthony Mann, Um Certo Capitão Lockhart. Mas Dona Etelvina assistiu ao filme e batizou seu filho como Capitão Lockhart. A princípio o tabelião se recusou, mas Dona Etelvina foi dura e enfática. Tem de ser este ou não será nenhum. Capitão Lockhart ficou conhecido na cidade de Pedra Roxa. A principio só curiosidade depois ninguém ligava mais. Na escola era bom aluno e todos os colegas gostavam dele por ser prestativo e educado. Capitão Lockhart tinha duas paixões. Papagaios (pipas) e escotismo. Quando fez sete anos lá estava ele se matriculando como lobinho. Não sabia que precisa de sua mãe para isto. Ela foi. Seu pai foi pracinha e morreu na Batalha de Monte Castelo quando ele ainda estava hibernando na barriga de sua mãe.

               Capitão Lockhart fazia papagaios como ninguém. Nos campeonatos anuais na cidade de Pedra Roxa quando não ganhava ficava em segundo. Cada ano mais ele se aprimorava. Sabia escolher o melhor bambu para as varetas, ele mesmo fazia a cola em sua casa usando limão galego, comprou uma tesoura sem ponta e usava sua régua e caneta da escola. Na Casa Ultimato, onde vendiam papeis de seda ela ficava horas escolhendo. Sempre tinha cinco ou seis carreteis de linha dez de reserva. Capitão Lockhart chegava da escola, fazia suas tarefas e a tarde ia até a colina do Morto Enterrado. Lá soltava seus papagaios analisando o peso, a força do vento, as linhadas, tudo para que não perdesse nada na hora de um bom campeonato.

             Capitão Lockhart era da Patrulha Corvo. Seu Monitor Nininho era meio mandão, mas todos gostavam dele. As quintas feiras a Patrulha se reunia na sede, onde eram passadas as provas para cada um. A Patrulha tinha dois primeiras classes, três segundas (inclusive Capitão Lockhart) e dois noviços. Ziri era um deles. Quiseram apelidá-lo de Polegar, mas alguém achou melhor Ziri. Esqueceram que seria Siri e não Ziri. Mas apelido posto só sai morto. Aos sábados o Chefe Martinho não dava folga. Cobrava dos Monitores, cobrava dos subs, cobrava de todo mundo. Capitão Lockhart amava tudo aquilo. A tropa vivia acampando, fazendo excursões, e varias vezes ao ano ele o Chefe deixava as Patrulhas acamparem sozinhas, principalmente em acampamentos volantes bem planejados.

              Em novembro a prefeitura estava programando a primeira Olimpíada do Papagaio de Pedra Roxa. Capitão Lockhart soube que o premio seria de dois mil reais. Precisava ganhar este prêmio. Prometera dar o uniforme e o equipamento de campo ao Ziri, pois ele estava com cinco meses e ainda não conseguiu ter o suficiente para fazer e comprar. Promessa é promessa e o Capitão Lockhart não podia fraquejar. O dia chegou. Capitão Lockhart sabia das regras das Olimpíadas. Usar dois carreteis de linha dez com cento e cinquenta metros cada um, o papagaio tinha de puxar toda a linha, (os fiscais iriam olhar na manivela), ficar duas horas no ar e ganhava em primeiro lugar aquela com mais pingos de chuva no papel de seda. Tudo bem. Não era segredo para o Capitão Lockhart.

               O dia chegou. A cidade em peso lá. Mais de duzentos competidores. Capitão Lockhart fizera uma pipa de bom tamanho, mais ou menos oitenta por quarenta, passara quinze dias preparando as varetas, cortou o papel de seda harmoniosamente sem pontas e para montar seu papagaio ficou dois dias ali debruçado na sua mesinha que sua mãe lhe dera de presente. Às nove da manhã se encontrou com a Patrulha. Estavam todos uniformizados. Várias outras patrulhas, lobinhos, seniores e os pioneiros também lá estavam. O Chefe Martinho tinha orgulho do Capitão Lockhart. Adorava o menino. Ele era viúvo e namorava dona Etelvina a mãe do Capitão Lockhart. Nada contra. Eram um belo casal e juntos também foram assistir a vitória ou derrota do Capitão Lockhart.
   
              Não vou entrar em detalhes, mas foi uma disputa renhida. No final ficaram oito competidores. Passado às duas horas foi dado à ordem de descer os papagaios. Um por um foram chegando. O povo todo se amontoando para ver qual estava marcado com pingos de chuva. A do Capitão Lockhart tinha oito pingos. A do Murilo da Birosca do Pedro Mocho (bar) tinha oito também. E agora? Mais trinta minutos no ar. Então após veriam o provável vencedor. Não podia haver empates. Foi emocionante! Muito mesmo. Um frenesi no ar e em terra. Uma torcida vibrante. Os escoteiros pulando e gritando. Terminou o tempo. As pipas desceram. Capitão Lockhart ganhou com mais dois pingos. A do Murilo só um. Foi carregado entre a multidão.


                      No sábado no cerimonial de bandeira, o Chefe Martinho fez uma entrega de um certificado de mérito ao Capitão Lockhart não só por ter representado o grupo nas olimpíadas, como também pelo seu belo gesto em dar ao Escoteiro Ziri um uniforme completo, um cantil, uma faca Escoteira, uma bússola e um cabo trançado de dez metros. A tropa saiu de forma. Os sêniores também. Os lobinhos se juntaram a algazarra. Abraçavam e beijavam o Capitão Lockhart. Uma apoteose que nunca tinham visto nada igual. Soube que meses depois o Chefe Martinho casou com dona Etelvina. Dizem que viveram felizes para sempre. Agora me disseram por fontes fidedignas e não posso garantir que o Capitão Lockhart foi reconhecido como o maior soltador de papagaios do Brasil e esteve em diversos campeonatos no “estrangeiro”. Verdade ou não ele apareceu na TV e em duas revistas o Cruzeiro e a Manchete. Que ele seja feliz com sua gostosa habilidade. E quem quiser que conte dois! Risos.   

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Amigo, que surpresa, você é Escoteiro? - Não diga!



Publiquei aqui diversas vezes, mas quem sabe você não leu?
Amigo, que surpresa, você é Escoteiro? - Não diga!

Ah! Meu amigo e como sou. Nem imaginas o meu orgulho em ser um destes milhões que moram neste mundão de Deus. Sabe meu amigo, no escotismo estou aprendendo a ser alguém responsável para que todos que me amam possam um dia orgulhar. Ali junto aos meus amigos eu aprendo que o caráter é importante em cada um de nós. Que ser leal é ponto de honra, e minha palavra? Sim é sagrada. Estou aprendendo que a honra faz parte dos honestos. Que a ética é mais que tudo. Aprendo tantas coisas que cada dia que passa mais eu me orgulho de pertencer a este movimento maravilhoso.

Eu sei que você não sabe, mas são tantas coisas maravilhosas que acontecem comigo, que hoje sei que a felicidade pode ser alcançada e eu a já a alcancei. Sou um privilegiado por Deus em estar aqui. Saiba meu querido amigo que eu já vi um céu cheio de estrelas brilhantes, deitado na relva, em volta de uma fogueira com muitos amigos e amigas do escotismo. Ali vi as constelações, um cometa que passando e deixando um raio de luz no espaço sideral, uma lua enorme suspensa no céu. E é isto meu amigo que mais e mais me leva a certeza que o escoteiro é puro nos seus pensamentos, nas suas palavras e nas suas ações.

Eu gostaria que um dia você pudesse junto comigo dormir sob as estrelas! Fazer delas sua barraca. Ver o nascer do sol e ver ele se pôr ainda vermelho no horizonte deixando uma marca profunda em nossos corações. Quem sabe um dia vai poder comigo saborear o cheiro da terra molhada, do perfume das flores silvestres, do som maravilhoso da passarada, do piar da coruja em um carvalho qualquer. Quem sabe um dia você vais poder beber a água límpida de uma nascente que corre na terra e em sua viagem irá refrescar terras e animais até que um dia vai alcançar o mar. Quem sabe você vai poder ver o lenho crepitando em uma bela fogueira onde todos riem, cantam e com seus olhos esperançosos vão vendo as fagulhas subirem aos céus, languidas e serenas até que a aragem leva-as para longe daquela clareira cheia de vida.

Meu amigo pode acreditar, é lindo e fabuloso ser do movimento escoteiro. Acho que é um privilégio de poucos e sinceramente? Poderia ser o privilégio de muitos. Quando vejo a chuva caindo em uma floresta, ouço o som imperdível aos ouvidos de um velho mateiro. Sei que você não sabe que temos uma ternura imensa com a natureza. Para nós é fácil encontrar o Norte e o Sul, seguir a sota-vento, barlavento ou encontrar o caminho a sudoeste. Nem imaginas o que é sentir o vento no rosto, descobrir as flores desabrochando em campinas verdejante. Eu gostaria que você soubesse como é gostoso podemos tirar o calçado e molhar os pés nas águas geladas de um gostoso riacho. Poder sentar e tirar uma soneca embaixo de uma grande e frondosa árvore e olhar em volta com os olhos vibrantes às cores do céu, do mar, das montanhas onde o sol se põe. Poder ver e sentir o cheiro da relva ver o vento que sopra com amor, fazendo ondas no capim verde daquelas campinas verdejantes em vales floridos. Meu amigo, você nem imagina a maravilha que é chegar ao cume de uma montanha e ver o horizonte! Um espetáculo imperdível meu amigo!

Mas olhe, não sei se terá a oportunidade de ter o que temos. É preciso acreditar. É preciso ter fé e coragem. Aqui aprendemos que o medo é próprio dos fracos. Temos como Escoteiros a obrigação de ajudar a todos indistintamente e ter força de vontade e amor para conviver em uma vida saudável junto dos demais irmãos escoteiros. Mas saiba, se um dia quiser, quem sabe, você pode até entrar em um Grupo Escoteiro. No entanto não se esqueça, e preste muita atenção. Qualquer um pode entrar, mas é importante saber que ser escoteiro não é para qualquer um!

Se um dia tomar a decisão e resolver mesmo, seja bem vindo. Vou lhe esperar de braços abertos. E aí então você sem sombra de dúvida será mais um irmão de tantos milhões espalhados pelo mundo. E quando for, vai saber que o nosso fundador Lord Baden-Powell disse algumas palavras para os novos e que marcam em cada um de nós. – Ele assim o disse um dia - Saiba você meu jovem se quiser Escoteiro, saiba que somente os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda. E se aceitar o desafio você pode acreditar que será muito bem recebido, pois nós escoteiros somos amigos de todos e irmão dos demais escoteiros.

E quando for um de nós aceite o desafio, tão simples que vai marcar você por toda a vida. Assim coloque sua mochila e seu farnel, pegue seu cantil, leve seu canivete Escoteiro, vista com orgulho seu uniforme escoteiro, agora levante sua bandeira, cante uma canção, grite seu grito de guerra e parta conosco nesta bela aventura!

Chefe Osvaldo.