No mundo dos sonhos com as fábulas escoteiras

No mundo dos sonhos com as fábulas escoteiras
A aventura está apenas começando

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Lendas Escoteiras. 24/04/2020 O pecado de todos nós.




Lendas Escoteiras. 24/04/2020
O pecado de todos nós.

... - O corpo e a alma precisam de novos caminhos para se unir harmoniosamente. “O futuro bate à nossa porta, e todas as ideias - exceto as que envolvem preconceitos - terão chance de aparecer e serão valorizadas pelas pessoas”.

- Disseram-me uma vez que ser feliz não é pecado. A felicidade é desprezada por muita gente. É irritante ver alguém naturalmente lindo, rico, simpático, inteligente, culto, talentoso, apaixonado e, ainda por cima feliz! Estou citando isto porque quando conheci Diego pela primeira vez ele era quase tudo isto. Ele conseguiu dar alma ao Grupo Escoteiro Ventos do Norte. Trouxe o sorriso que faltava e todos ali o amavam. Um invejoso comentou que seu jeito, sua maneira de falar e andar, sua voz cheia de trejeitos poderia trazer resultados danosos ao movimento Escoteiro. Diego apareceu do nada e do nada se solidificou como pessoa importante na parte burocrática e em tempo algum alimentou seu sonho de um dia ser um Chefe Escoteiro ou de lobinho. Doutor Janílson o Presidente não sabia de onde ele veio. Não tinha filhos no Grupo e alguns o conheciam na cidade porque era gerente nas Lojas Abil, famosa pelos seus vestidos feitos pelos maiores estilistas do mundo. Ali se encontrava um Gabriell Miuccia Prada, um Bonheur Chanel, um Christian Dior ou mesmo um John Galliano sem falar nas famosas bolsas Louis Vuitton.

Era bem quisto pela sociedade local e muitas madames o procuravam para ser atendidas por ele. Diogo tinha um grande amor. O Escotismo. Como surgiu ninguém soube. Era incansável na colaboração ao Grupo Escoteiro. Conseguiu com suas amizades vultosas colaborações financeiras para o Grupo. Nunca fez a promessa e com seus olhos brilhantes admirava quando alguém no cerimonial jurava a Deus e a Pátria Ele sonhava em fazer a promessa, mas sabia que no Grupo Escoteiro seus trejeitos eram considerados anormais havia muito preconceito por pessoas como ele. Ele respeitava a todos. Mas não era o que pensava Jonny Vampuso. Ele mesmo se perguntou varias vezes se poderia estar no meio escoteiro um sujeito que era conhecido como um homossexual ou um sapatão.

Uma das maiores alegrias de Diogo foi quando a Akelá Sophia o convidou para ajudar no acantonamento distrital. Ele nunca se sentiu tão feliz. Parecia estar em casa, ou melhor, no paraíso. Os lobinhos o adoravam e os chefes passaram a ter por ele um carinho todo especial. Quando retornaram pensou que o Doutor Janílson o convidaria para ser um assistente. Mas nada aconteceu. Ele não sabia que seu algoz Jonny Vampuso o condenava no grupo e boa parte do Distrito e região. Sabemos que pessoas preconceituosas, são reflexos de defeitos não revelados por eles mesmos. Um dia foi chamado no Escritório Regional. O Doutor Janilson se desculpou e não foi com ele. Diogo sentiu-se um cordeiro a mercê dos lobos.

Eram quatro dirigentes. Sisudos. Cara feia. Nem um sorriso. Eram chefes Escoteiros zelando pelo bem da moral escoteira.  Fizeram mil perguntas e no final da reunião um querendo mostrar ser boa praça o convidou para um café. Falava baixinho, sobre o que pensavam dele, sobre os resultados maldosos que o escotismo poderia ter com sua presença, chegou até a citar Paulo Coelho que disse que quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. – Você meu amigo ele disse, sabe que não o aceitam em todos os lugares, sei que isto é cruel. Aceite meu conselho peça demissão e vá embora do Grupo Escoteiro. Vamos evitar rusgas e processos inúteis.

Diogo foi para casa com a alma ferida. Ele sabia quem era e o que pensavam dele. Chorou no ônibus, e a tristeza o invadiu por muito tempo. Pediu demissão de um cargo que não tinha e saiu do Grupo Escoteiro Ventos do Norte. Ficava aos sábados sonhando com seu passado Escoteiro que para dizer a verdade nunca existiu e nunca iria existir. Ele sabia que as nuvens das tristezas são como o vento. Quando elas desaparecem o dia fica mais lindo. Pensava em enfrentar os maledicentes, dizer que eles não eram os donos da verdade. Falava para si mesmo que nunca devia deixar de fazer algo de bom que seu coração pede. Se isto acontecer o tempo poderá passar e as oportunidades também.

Quando naquela tarde Jonny Vampuso entrou na loja com sua noiva para comprar um vestido ele pensou em não atendê-lo. Afinal ele sabia que o dedo duro foi ele. Porque fizera isto? Ele nunca lhe tinha feito nenhum mal. Ele sabia que seu coração não podia odiar. O atendeu até melhor que muitos que ali estiveram. A noiva de Jonny Vampuso se encantou com Diogo. Na saída Jonny Vampuso num impulso de bom Escoteiro foi até ele e lhe pediu desculpas. Diogo pensou consigo se aceitaria seu pedido. Ainda tinha uma mágoa guardada em seu peito. Sabia que Jonny Vampuso errara e não lhe negaria o perdão. Pensou mesmo em não apertar sua mão. Mas quando viu que ele lhe dera a esquerda, aquela que dizem ser do coração ele aceitou. Quando Jonny Vampuso foi embora as lagrimas desceram novamente.

A vida escoteira de Diogo encerrou ali. Naquele mesmo dia dois menores entraram para roubar e deram um tiro certeiro em Diogo. Morreu na hora. A sociedade em peso tristonha, mas não participativa não foram as suas exéquias. As Madames que ele sempre atendia com presteza e que sempre o trataram como um cão fiel também não foram. Ele sabia o que as madames queriam. Ele sempre elogiava dizendo: Eu posso reconhecer a senhora entre mil. Os seus passos têm a magia das grandes senhoras. A sua voz Madame é o sinal maior do meu momento feliz e às vezes Madame não precisam nem falar eu sei o que quer!

Eu fui ao enterro de Diogo. Simples. Nenhuma Madame presente. A sociedade não perdoa bajulação sem motivo. Escoteiros? Uns cinco lobos e a Akelá chorosa. Doutor Janilson apareceu para dizer olá e se foi. Jonny Vampuso também apareceu e ficou pouco tempo. Quando a terra sagrada o cobriu avistei uma senhora magrinha, vestida simplesmente, com um menino nos braços e em uma das mãos uma menina de uns oitos anos chorando. Não tendo mais ninguém lá elas se aproximaram da última morada de Diego. Fiquei curioso. Aproximei-me. – Vocês o conheciam? – A menina chorando e soluçando disse – Era meu pai! A Senhora me contou que era sua esposa. Ele fez um trato com ela quando casaram. Tenho meu amor que fingir o que não sou. Meu trabalho me obriga. A sociedade que eu atendo sente-se satisfeita com minha voz, meus trejeitos e sabe, um dia vamos embora daqui.

- Que vida, pensei. O acusaram de ser o que não era. Mas de quem seria a culpa? Dele? Dos que viveram a sua volta? Ou dos preconceitos que norteiam uma sociedade que não aceita os direitos dos que se acham possuídos dele? Que os anjos estejam com você Diogo. Para sempre!




Uma crônica para dizer “não sei”. São coisas da esquerda! “E Sérgio Moro me chamou para acampar a “escoteira”



Uma crônica para dizer “não sei”.
São coisas da esquerda!
“E Sérgio Moro me chamou para acampar a “escoteira”

- Três vezes por semana, entro em contato com o “Senhor Corona” pedindo permissão para fazer uma caminhada de seiscentos ou setecentos metros em volta da minha casa. Coisa pequena. Já tinha problemas com meu perfil de Schwarzenegger sem contar meu pulmão de aço de Super Homem (às vezes me mandam pelo correio uma kriptonita que penso ser coisa da EB - kkkk) e se ficar sem uma caminhada, sou chamado ao SUS para dar satisfação aos homens e mulheres do Jaleco Branco.  Devidamente vestimentado com minha máscara que Célia fez para mim lá vinha eu em passos de tartaruga firmando trêmulo minha querida “bengala”. Na rua vazia a não ser um motoqueiro aloprado só se ouvia o ploc, ploc da minha bengala. Eis que sentado em um banquinho na porta de uma casa, um jovem dos seus dezessete ou dezoito anos dialogava com um senhor já idoso, sentado do lado de dentro devidamente vestimentado com sua máscara e a ou o jovem f alar: - “Isto é coisa da esquerda”.

Já não é a primeira vez que ouço ou leio sobre isso. Inculto, apesar da minha formação na Escola da Vida me vesti com meu amado caqui, coloquei o chapéu, procurei me ver no espelho se o lenço estava bem dobrado e bem colocado no meu pescoço pelancudo e cheio de rugas, pois o lenço costuma bloquear esta visão horrível parecida com aquele presidente da direita! Epa! Esqueçam o presidente, esqueçam o capitão. A coisa da esquerda agora é Moro. Mas vamo lá, bem uniformizado, conforme me lembrava de quando menino escoteiro e seguindo o exemplo do meu Chefe João Soldado um sargento e não capitão corri até o Google para saber o que seria “Coisa da Esquerda”. Já vi tal frase muitas vezes aqui no Face. Ensina-nos o novo “teacher” de codinome Wikipédia substituto das Enciclopédias do passado, como a Britânica e a Delta-Larousse, sem contar a Mirador e outras mais o seguinte:

- As ideologias “esquerda” e “direita” foram criadas durante as assembleias (não as escoteiras) na França do século XVIII. Nessa época, a burguesia procurava, com o apoio da população - especialmente os "sans-culotte", diminuir os poderes da nobreza e do clero. Era a primeira fase da Revolução Francesa (1789-1799). Com a Assembleia Nacional Constituinte montada para criar a nova Constituição, as classes mais ricas não gostaram da participação das mais pobres, (qualquer semelhança com a Escoteiros do Brasil e o Chefe Zé das Quantas é mera coincidência) e preferiram não se misturar, sentando separadas, do lado direito. Por isso, o lado esquerdo foi associado à luta pelos direitos dos trabalhadores, e o direito ao conservadorismo e à elite francesa. Interessante, eu pensei. Será que o jovem “palrador” sabia sobre isso? Ele explicava ao seu progenitor ou amigo idoso o porquê alguns discordavam do próprio Presidente aquele pai do Zero um, Zero dois e Zero três. Sem tem mais não sei. Dizia ele que Deus é brasileiro e a cura tá aí! Ele se referia a Hidroxicloroquina.

Bem, passei por eles com meu ploc, ploc rumo a minha barraca na Rua do Pardal. Ruminava e pensava: - Será que sabiam que o Doutor Sérgio Moro pediu demissão? Não, acho que não, senão estavam batendo palmas pela saída de um dos contra, o invejoso, o homem da lavajato, aquele da esquerda. Na virada da Rua Lucrécia quase tomei um tombo. Moro pediu demissão? Primeiro o Mandetta e agora ele? E dizem que o Paulo Guedes está ruminando se não segue atrás. Cheguei em casa pensando se os da direita (se somos da esquerda eles são da direita) se informam melhor. Muitos dizem que o hecatombe foi por causa das Fakes News aquelas que atacam autoridades (coitado do Maia) aquelas que subvencionaram os  gastos e chamamentos para multidões saírem às ruas com faixas e cartazes pedindo a volta dos militares e do AI5 e por uma incrível coincidência o Capitão passou por lá subiu naquela caminhonete estacionada ninguém sabe por que também estava também lá. Alegam os mal intencionados que foi coisa do Gabinete do ódio. Epa! Gabinete do Ódio?

Pois é. A celeuma bate na porta dos subcampos. Cada Patrulha alega ser da direita. Os pioneiros gritam na beira do Waingunga que são da esquerda. A escoteirada em fila diziam: - Chefe não fui eu! Sou da direita... Volver! E eu na minha inocência de brasileiro escoteiro, aquele promessado que nunca quis repromessar, pois a promessa é para sempre deixei que me convencessem que o Capitão também é inocente. Maria Naninha, uma antiga Chefe de lobinha que ainda não tem nem mesmo o anel de Gilwell me disse ao pé do ouvido: - Chefe, o Doutor Moro no telefone. Está convidando para um acampamento a “Escoteira” no Pico da Neblina. O Senhor atende? Pegou-me de calças curtas! Kkkk. Olá-lá! Adoro a calça curta, me sinto Baden-Powell quando estou com ela vestimentado a caqueana, mas com a camisa devidamente dentro dela. Pico da Nebline! Me aguarde!

O valente Juiz Moro se foi. Seguiu os Passos do Mandetta, do Terra, do Canuto, do General Floriano (ainda bem que não foi meu querido Chefe Floriano de Paula), do Santo Cruz, do Ricardo Velez, do Gustavo Bebianno, putz! É gente prá dedeu. Não sei qual o próximo. Será o próximo o Paulo Guedes? E o puxa-saco do Onyx Lorenzoni a dizer o nosso Capitão, o nosso mestre, o nosso comandante. Enfim, como sou da direita dirão os seguidores da Estrela Dalva, aqueles que aparecem ao amanhecer. Chefe viva um pouco mais, vais ver um Brasil que nunca viu. Seremos uma cópia das Américas do Trump, aquele que o Capitão é um eterno admirador. Seremos o exemplo para o mundo e para as galáxias distantes. E me lembro da Escoteiros do Brasil com suas promessas dos duzentos mil. E minha memória volta ao filme Blade Runner, com o inesquecível Rutger Hauer, no seu monólogo final do seu personagem Roy Batty, o vilão que não foi capitão dizendo para o herói do filme Rick Deckard, estrelado por Harrison Ford:

“Eu vi coisas que vocês, humanos, nem iriam acreditar. Naves de ataque pegando fogo na constelação de Órion. Vi Raios-C resplandecendo no escuro perto do Portão de Tannhäuser. Todos esses momentos ficarão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer”. E ele morre como um herói! Não dou vivas ao capitão, nem aos seus zero, zeros. Estou no fim da idade e me desgostei com muitos dirigentes papudos da Escoteiro do Brasil e seus asseclas espalhados valentemente fazendo das suas. Como sou imbecil, idiota, palerma entre outros títulos honoríficos, Deixo para William Shakespeare dar meus últimos pitacos: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia.”.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Conversa ao Pé do Fogo. Você já teve este tipo de problema?


Conversa ao Pé do Fogo.
Você já teve este tipo de problema?

                 Tudo aconteceu em um acampamento de cinco dias. Após a cerimônia de bandeira e a entrega das bandeirolas de eficiência do dia, Conrado pediu a Jerônimo que logo após o tempo livre do almoço o procurasse. Jerônimo era o monitor da Tigre. Um ano que tinha sido eleito. Quatro patrulhas acampadas. Todas com sete membros. Mas desde a chegada a patrulha Tigre estava se distanciando das outras.

                Jerônimo chegou ressabiado. Deixou Valério o sub no comando. Laurindo o cozinheiro sabia o que ia fazer para o almoço. Procurou o chefe Conrado. - Sempre Alerta chefe! Monitor da Tigre se apresentando! - Sempre Alerta Jerônimo! Sente-se. Jerônimo sentou no banco em frente à barraca do chefe. Eles tinham seu campo separado. Faziam suas mesas, seus toldos e a própria comida no seu fogão suspenso. Eram três, mas sempre cozinhavam para eles.

                 Meu amigo, notamos que sua patrulha estava ficando para trás. Desde que chegamos nem o terceiro lugar. Alguma coisa que eu não saiba? Jerônimo abaixou a cabeça. Olha chefe, o senhor me conhece. Não gosto de reclamar. Tentei tudo com o Mario Júlio. Até comentei mês passado com o senhor. É um bom escoteiro. Entusiasmado. Lê tudo que aparece de escotismo. Mas está apático. Não presta atenção. Neste acampamento quase não ajudou a patrulha. Fica olhando os pássaros, tentando saber o que dizem. Pega seu caderninho e anota. Agora deu para correr atrás das borboletas. Disse que quer saber onde dormem.

               Olhei para Jerônimo e não disse que já tinha visto o que acontecia. – Falei para ele: - Compreendo Jerônimo. Acho que esta deve ser a causa. Porque não pensa em alguma coisa? Já pensei chefe. Conversei, falei disse se ele queria outra função que não escriba e nada. Vamos fazer uma coisa, posso sugerir? Disse o chefe Conrado. - Claro que sim chefe. - Bem, faremos o seguinte, hoje tarde tinha um jogo de ataque e defesa. Meio forte. Vou mudar. Faremos um sobre a “busca da Borboleta Encantada”. A patrulha que conseguir desenhar e descrever o maior número de borboletas e saber imitar pelo menos cinco pássaros será a campeã.

                    Não precisamos dizer quem ganhou. A Tigre empatou com as demais. Não ganhou a eficiência geral no ultimo dia, mas não fez feio. Muitas vezes temos as soluções simples para um problema complexo. Basta pensar e ver como será o resultado. Se for o que se pretende ponha em Prática. Apitar, formar, jogar e palestrar é fácil, o chefe escoteiro tem de ir muito mais além. Assim como os monitores devem conduzir sua própria patrulha, o chefe também conduz seus monitores e sua tropa.

“Conduza com o próprio remo a sua canoa” - Baden Powell 

“Minha homenagem a todos os Escoteiros do Brasil e do mundo”




“Minha homenagem a todos os Escoteiros do Brasil e do mundo”

Hoje, é o meu, o seu o nosso DIA. DIA DO ESCOTEIRO. No dia 23 de abril, comemora-se o Dia do Escoteiro em boa parte do mundo. A data foi escolhida pelo fundador do Movimento Escoteiro, Robert Baden-Powell, por ser o mesmo dia em que se celebra o Dia de São Jorgepatrono do Escotismo - na época, em 1910, era comum que se escolhessem santos como patronos. Para homenagear a todos os meus irmãos de todo o Mundo, dedico este poema:

São Escoteiros.

- Já viste por acaso, a luz das madrugadas,
Uns veleiros azuis singrando mar afora,
Ou em marcha, a cantar patriótica toada,
Um grupo que na serra alcantilada
Em plena mata acampa e uma bandeira arvora?

Desta flotilha azul quem são os marinheiros,
Que se animam a escalar as serranias e alturas?
Contemplais que vereis, são jovens Escoteiros,
Entusiastas, joviais briosos brasileiros,
“Que lá vão brincar ao léu de uma aventura”

E se você meu amigo, assim pensais,
Trazei vosso concurso a nobre instituição,
E um dia quando ouvirdes Rataplã lá fora,
Também direis, “eu sou Escoteiro agora”
Dos Jovens do Brasil tereis a gratidão.

Autor desconhecido.

ESCOTISMO ESCOLA DE HERÓIS!



“Minha homenagem a todos os Escoteiros do Brasil e do mundo”




“Minha homenagem a todos os Escoteiros do Brasil e do mundo”

Hoje, é o meu, o seu o nosso DIA. DIA DO ESCOTEIRO. No dia 23 de abril, comemora-se o Dia do Escoteiro em boa parte do mundo. A data foi escolhida pelo fundador do Movimento Escoteiro, Robert Baden-Powell, por ser o mesmo dia em que se celebra o Dia de São Jorgepatrono do Escotismo - na época, em 1910, era comum que se escolhessem santos como patronos. Para homenagear a todos os meus irmãos de todo o Mundo, dedico este poema:

São Escoteiros.

- Já viste por acaso, a luz das madrugadas,
Uns veleiros azuis singrando mar afora,
Ou em marcha, a cantar patriótica toada,
Um grupo que na serra alcantilada
Em plena mata acampa e uma bandeira arvora?

Desta flotilha azul quem são os marinheiros,
Que se animam a escalar as serranias e alturas?
Contemplais que vereis, são jovens Escoteiros,
Entusiastas, joviais briosos brasileiros,
“Que lá vão brincar ao léu de uma aventura”

E se você meu amigo, assim pensais,
Trazei vosso concurso a nobre instituição,
E um dia quando ouvirdes Rataplã lá fora,
Também direis, “eu sou Escoteiro agora”
Dos Jovens do Brasil tereis a gratidão.

Autor desconhecido.

ESCOTISMO ESCOLA DE HERÓIS!

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Medalha “velho lobo”


Medalha “velho lobo”

A tempos ou melhor em 2017 em um artigo postado o meu amigo Giancarlo Valente defendia galhardamente que eu deveria ser agraciado com a medalha “Velho Lobo”. GV é insistente. De suas posições ele não abre mão. Ainda bem que o tenho em meu coração. Muitos comentaram a favor ou contra. Alguns se apegaram nas normas regimentais. Ah! Normas e normas! Porque o chefe não faz o registro? – Bem tenho 79 anos de idade. Entrei para o escotismo em 1947 onde em abril fiz minha promessa de lobo. Três anos e meio depois fiz a de escoteiro. Certificado e registro nem sabíamos que existiam. Meu escotismo foi de mochila nas costas, bicicleta errante e até mesmo meu Vulcabrás favorito correndo estradas e trilhas de aventura. Escotismo livre leve e solto, sem amarras.

O tempo foi passando e eu escoteirando. Sênior, pioneiro ah! Quantas aventuras. Hoje sei que não é mais assim. Já comentam que Escotismo de sede dá resultados. Ainda bem que tem muitos escoteirando pelos campos e fazendo belas aventuras. Fui Chefe de Lobo, de tropa, de Sênior fui distrital. Nunca deixei de escoteirar. O tempo foi passando e em 1956 fiz meu primeiro registro. Não como hoje com uma parafernália eletrônica. Impressos indo e vindo pelo correio. Alguns registros demoravam até oito meses. Eis que em Belo Horizonte, por causa de um ADIP onde o Escoteiro Chefe estava presente me pediu para ir à sede regional. Convidou-me para ser o Comissário. Aceitei. Foram quase nove anos correndo municípios mineiros. Foi meu início na minha saga de dirigente.

Não gostava do que via. Escotismo é o de B.P e se alguém julga que não fico na minha. Fui a Brasília no Conselho Nacional hoje chamado pomposamente de Assembleia. Tentei conversar com o Escoteiro Chefe, levei uma plêiade de escritos meus para distribuir. Pediu-me para deixar para o próximo. Trouxe tudo de volta. E olhe nada mudou. O mote de vá a Assembleia é de matar de rir. Em 1977 cheguei a São Paulo. DCIM dezenas de cursos eu pensei que poderia ajudar. Engano. A trupe que comandava o adestramento no estado me deixou no ostracismo. Não desisti. Participei aqui de dois grupos, antes em mais três. Fizemos um IM onde muitos pais adestrados por mim participaram. Reuniões a cada vinte dias para discutir o caderno. Fui convidado para Assistente Regional de Adestramento. O ar ferveu. Impossível gritaram os donos do poder. Muitos da Equipe Regional de Adestramento se recusaram a participar dos cursos que convidava. Foram mais de cem cursos em tempo integral. Reunia próximo de 15 chefes IMs para um seminário de adestramento a cada trinta dias. Vinha gente de São Vicente e outras cidades do Estado. Um dia o “J.M” da baixada santista me disse: - Chefe, o regional pediu para eu afastar. Pediu a todos.

Fui ser chefe em um grupo próximo a minha casa. Quase 12 anos. O grupo cresceu e achei que devia passar o bastão. Um dia pediram-me para montar e dirigir o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. Se inscreveram mais de 40 alunos. A trupe do poder quase deu a luz e teve a pachorra de infiltrar o DCIM muito conhecido e admirado no curso. Seria ele encarregado para ver se eu tinha condições? A história disto tudo fica para depois. O tempo foi passando e a EB passeando na Europa para a Conferência Mundial. Quem paga? Disseram-me que o plano era assumir a WOSM. Risos. Resolvi lutar sozinho. Mandei o registro às favas. Não me valia de nada. Alguém deve se lembrar de que na década de setenta, incluíram na Promessa Escoteira – Servir a União dos Escoteiros do Brasil. Nossa! Servir? Afinal uma associação não existe para servir seus associados? Curitiba a vista. Lá montaram a base. Sabichões, doutores, pedagogos enfim um universo de novos lideres se formaram. Apossaram-se do poder.

Li várias vezes o Dossiê do Doutor Jean Cassaigneau. Agora sim pensei. Vai alertar esta cambada para tirar o escotismo entre muros e fazer a coisa andar. Que nada. Não afirmo, mas a ideia era fazer desaparecer os antigos os galochas escoteiros. Com gente nova a disciplina não seria discutida. Hã Democracia! Claro que deu certo. Não tinha mais armas para lutar. Mostrar o que penso o que poderíamos discutir nas ULs para que o escotismo desse um salto no futuro. A EB resolve, não faz pesquisa, não pede sugestões e lá vem de novo uma nova norma para cumprir. Discutir normas regimentais como funciona a EB? Sabemos que temos experts que decoraram tudo. São os Politicamente Corretos que defendem suas posições na EB. São errados? Não. Aprenderam assim. Acham que devemos ser obedientes e disciplinados. Eles são a linha de frente. A EB? Empanzinada com o poder agora só pensa naquilo! Isto mesmo. Nada pode dar prejuízo. Deus do céu!

Não fiz e nunca mais farei meu registro na Escoteiros do Brasil. Sou e serei sempre um associado sem pagar da antiga União dos Escoteiros do Brasil. Na minha época havia sorrisos no ar. Havia lealdade. Havia sinceridade e nada era feito nos porões do poder. Sei que ainda tem muitos dirigentes de alma escoteira. São poucos. A indelicadeza, a falta de cortesia, o abraço e a deslealdade parece estar se infiltrando nas hostes do poder. Sei que ninguém tem nada com isto, mas no passado eu tinha amizades, gente que sabia dar um abraço, um sorriso e ser leal. Fui amigo do Chefe Francisco Floriano de Paula. Tive a honra de receber e bebericar com gente da alta roda escoteira: - Muitos DCBs, DCIMs a Maria Pérola o Hélio (quem se lembra?) o Basbaum o Darcy Malta. Muitos gostavam da comida da Célia. Hoje? São os tais. Sorrisinhos nos corredores do Congresso/Assembleia. Tapinhas nas costas. Tem aqueles que são entendidos, viram para você e dizem: Servir meu amigo servir. Afinal você paga para ser chefe e ainda reclama?

Finalmente fui convidado sim pelo Elmer a ir ao Seminário dos Antigos Escoteiros. Não fui. Não gostei do convite. Não era o que pensava. Não gosto de paparicar e ficar na sombra. Gosto de elogiar discutir bases concretas e não só filosofia. Não me pediram opinião e cá pra nós eu já sabia o que ia acontecer. – Bem voltemos à medalha. Como regional recebi doze. Quatro em duplicidade. Nada há ver com as grandes condecorações que os grandes chefes fazem questão de colocá-las brilhantemente no pescoço. Agora fazer um registro para receber uma medalha? Isto é ético? Onde está a minha dignidade? Nunca vou esnobar uma medalha. Mas sou um Velho Chefe Escoteiro e não um Velho Lobo. Hoje colaboro escrevendo. Artigos de formação, de contrariedade, de histórias e lendas escoteiras. Sem querer me esnobar a Escoteiros do Brasil e muitas outras associações escoteiras devem muito aos meus contos, minhas histórias onde o escotismo floresce de uma maneira natural e encantada.

Nada mais a dizer. Ao Giancarlo meu amigo até hoje continuo agradecendo pela lembrança. Aos comentários também. Não guardo rancores. Faço questão da honestidade, da honra e do caráter. Nunca ofendi ninguém. Tento sim ajudar no que posso e aprendi, mas não dou o braço a torcer. Ainda não sou daqueles que ao receber uma caricia no rosto dou o outro lado para continuar. . Sou amigo de todos, falem mal de mim, mas podem contar sempre comigo. A todos meu fraterno abraço.
Sem mais, Chefe Osvaldo.




Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Ser ou não ser...

... – Sem rumo, sem direção, escrevi para alguns e não para todos. Tiro o chapéu para muitos que levam a sério seu papel de Chefe no Movimento Escoteiro, seja a do Brasil, seja os tradicionais ou mesmo os desbravadores, bandeirantes e florestais. Precisamos de exemplos, mas tem muitos por aí que esquecem sua promessa sua Lei e sua ética. Fraternos abraços.

Plagiando Shakespeare estou aqui pensando em copiar a sua frase célebre: - Ser ou não ser eis a questão! A minha seria, postar ou não postar eis a questão! Dizem que Shakespeare como Hamlet encontrou um crânio no meio da terra e começou a refletir quem ali esteve com vida, energia, família etc. Shakespeare pensou e questionou a sim mesmo: Se ele fez errado, se fez coisas boas sempre acaba na mesma coisa, a morte e só restam ossos no meio da terra. Magistralmente ele criou a frase “Ser ou não Ser!”. Bem não sei se a expressão é correta, pelo sim pelo não, não sou dramaturgo ou poeta como ele. Aqui costumo postar contos, artigos e inversamente ao contraditório às vezes uma mísera crônica pensando em ajudar a nossa bela criação chamada de Escoteiros, ou muito imitada hoje em dia com nome conhecido em todo planeta: A Boy Scout of America. (Hasta la vista, baby!).

Fico batendo na testa o que fazia quando o vento jogava minha barraca ao chão apesar de estar bem pregada com espeques feitos de galhos, e no lugar de um cabo usava uma lasca de finas tiras para fazer uma embira trançada isto se não encontrasse um cipó-mariri que usava com prazer. Se fosse hoje iria dizer “Cair ou não Cair?”, mas como agora estamos quarentenando e usando o meu breve espaço de tempo escrevo a mais não poder e... Postar ou não postar? O que seria melhor? Postar para os lobinhos? Escoteiros? Seniores ou Pioneiros? Todos devidamente acompanhados das lindas meninas e moças devidamente uniformizadas ou vestimentadas? “Non”! Eles estão em outra. Correm das páginas do Facebook. Aqui estão orgulhosamente os seus próceres, chefes ou lideres alguns devidamente fardados e outros não.

Eles sabem que poucos serão os escolhidos. (Em Mateus 22:14, Jesus disse que “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”). Isto mesmo, eles os jovens sabem que aqui neste mundo do faz de conta chamado Facebook poucos deles serão comentados, fotografados, elogiados já que nem sempre correspondem ao que seu Chefe nos seus atos e relatos, suas escolhas pessoais, seus chamados políticos darão o exemplo para eles copiarem. Ali estão eles saudando seus belos dotes de fazedores de notícias. E nos entretantos preferem outros caminhos para trilhar. Sinceramente sem ser indelicado eu gostaria de postar para eles, os jovens, as crianças, pois sei que eles sim gostam de alguém para contar uma boa história. Agora se sou lido por eles desconheço. Às vezes aparece uma humilde escoteira ou um Sênior para dar seus pitacos nos meus escritos. Opa! Ainda bem que não curtem nem lascam lá aquele “homizinho de azul batendo palmas” ou uma mão de emoji para dizer: “Chefe tô com você, gostei”.  

Talvez eu tenha culpa. Costumo elogiar aqueles que acho que merecem e mesmo alguns me decepcionando lasco uma foto, uma frases esperando que isto mostre que somos irmãos aqui na lua no sol ou nesta terra bendita. Posto poucos elogios aos jovens há não ser quando aparecem brilhantemente uniformizados, recebendo uma comenda ou promessando com orgulho e sabendo que este é seu dia especial. Copiar suas fotos não sempre é fácil. Preciso de autorização e na maioria os pais ou chefes discordam o que acho natural. Afinal a Escoteiros do Brasil tem norma, dizem até que pode ser processado quem autorizar. Mas o Chefe? Ah o Chefe! Tem fotos prá todo lado. Uma pena que o que mais atrai a escoteirada não aparece nenhuma. Fotos deles no campo, no sertão, nas bandas de um vale, no alto da montanha, no campo campestre, em matas verdejantes andando entre flores silvestres, na sua barraca, no seu habitat com plena liberdade de fazer para aprender... Mesmo errando... E “devidamente uniformizados ou vestimentados”.

Sabemos que isto não acontece. Ele o menino, a menina o jovem ou a jovem estão em outra, diz o Mestre Chefe treteiro. Orgulhosamente me dizem: - “Grande Chefe”! (note que só tenho 1,67 portanto não sou grande). São novos tempos, os cursos, os livros, os alfarrábios ensinam agora a nova pedagogia escoteira! Açoito-me com um ramo de oliveira no pescoço cheio de rugas e peles mexidas que dizem chamar de pisadura, gilvaz e mossa (putz!). (O ramo de oliveira é um símbolo conhecido segundo a religião que traz consigo a ideia de piedade, sendo também a derrota do pecado). Nem sei o que é isto. Não discuto, não vale a pena. Coitado da cambada de pirralhos que hoje pisam no tal Escotismo Moderno. Na escola uma cadeira, um quadro negro, no Grupo Escoteiro muitas cadeiras e um quadro negro! E vá dizer que isto ninguém quando miúdo quer. Mas eles os agora chamados de docente educadores no alto de sua sapiência dizem; Eles adoram, ontem fiz um jogo que foi um sucesso! Precisava ver o sorriso deles! E eu boboca finjo que acredito...

Mas será que estou perdendo o fio da meada? Sei não. Prefiro não postar técnicas de campo, de acampamento de jornadas nas matas do meu Brasil. Melhor é jogar Amarelinha, pois sei que é sucesso garantido. Se precisar de material uma faca para o chão de terra, um giz para o pátio da sede se tiver cimentado eu agacho, apanho a pedrinha e pulo para fora do caracol! Melhor mesmo é pegar minhas biroscas que alguns diziam ser bolinhas de gude, meu finquinho ou melhor, tá ventando, vou empinar meu papagaio, pois voltando nos meus velhos tempos isto sim era batuta, era melhor!